RETROSPECTIVA

As dez piores séries de 2023

Sim, aquela da HBO está na lista; confira
DIVULGAÇÃO/HULU
Francia Raisa (à esq.) com Hilary Duff na 2ª temporada de How I Met Your Father
Francia Raisa (à esq.) com Hilary Duff na 2ª temporada de How I Met Your Father

Duas vitrines famosas por expor produtos de qualidade pecaram neste ano de 2023. A HBO lançou uma das piores séries de sua rica história, enquanto o Apple TV+ teve de ligar a máquina do cancelamento várias vezes para se livrar de bombas catastróficas, indo de encontro às pegadas do streaming desde o seu lançamento, em 2019; a plataforma da maçã rapidamente ganhou fama por prezar pelo alto nível de suas atrações.

O Diário de Séries lista as dez piores séries de 2023, exibidas em território brasileiro entre 1º de janeiro e 18 de dezembro. Marcam presença produções ruins de fato, aquelas que decepcionaram e umas que desceram ladeira abaixo após temporadas de estreias promissoras, contando até com indicações no circuito de premiações hollywoodianas. Confira:

Tiffany Haddish na 2ª temporada de Depois da Festa
Tiffany Haddish na 2ª temporada de Depois da Festa

Depois da Festa (Apple TV+)
É muito triste acompanhar “ao vivo” o derretimento de uma excelente comédia. Quase unânime na lista das melhores séries de 2022, Depois da Festa despencou no voo do elevador e, cancelada sem dó pela Apple, crava espaço na lista das piores séries deste ano. A atração não escapou da temida maldição da segunda temporada.

A qualidade da trama ruiu, apresentando uma história diferente da primeira leva, com novos personagens. Sem os elementos da surpresa e novidade, fatores de destaque da primeira temporada elogiada, a atração perdeu a graça, ficou chata e sem sentido.

Patricia Arquette na comédia Deserto Selvagem
Patricia Arquette na comédia Deserto Selvagem

Deserto Selvagem (Apple TV+)
Eis mais uma série que engrossou a longa lista de cancelamentos do streaming da maçã neste ano de 2023. É estranho ver essa comédia bem das ruins dentro do catálogo, pois ela destoa bastante, pelo aspecto negativo, das demais obras ali disponíveis.

Deserto Selvagem narrou a jornada de Peggy (Patricia Arquette), ex-dependente química que decide recomeçar a vida e se tornar uma detetive particular após a morte de sua amada mãe, com quem morava em Yucca Valley, uma pequena cidade no deserto da Califórnia. Patricia, como sempre, brilhou, mas nem ela conseguiu salvar esse desastre.

Francia Raisa (ao fundo) com Hilary Duff em How I Met Your Father
Francia Raisa (ao fundo) com Hilary Duff em How I Met Your Father

How I Met Your Father (Star+)
Spin-off da clássica How I Met Your Mother, a sitcom filhote How I Met Your Father tinha muito potencial, contudo foi vítima do próprio sucesso. A primeira temporada, compacta e agradável com dez episódios, pavimentou o caminho a ser seguido. O tropeço foi instalado assim que veio a encomenda de 20 capítulos para a segunda leva.

How I Met Your Father não tinha bagagem para tantos episódios por temporada. Daí vieram fillers (episódios-enche-linguiça), tramas bagunçadas, enrolação, marasmo… Só houve um momento ou outro essencialmente cômico e proveitoso para a trama. 

Resultado: a série acabou sem revelar ao público o tal pai, tornando-se assim completamente inútil. Pois todos os episódios feitos (30) perderam o sentido. How I Met Your Father virou um produto descartável. Não presta para mais nada.

Emilia Clarke em cena de Invasão Secreta
Emilia Clarke em cena de Invasão Secreta

Invasão Secreta (Disney+)
Fato: a premissa de Invasão Secreta é boa. Outro fato: a história seria muito melhor desenvolvida como um filme de 90 minutos do que esmiuçada em minissérie de seis episódios. A trama esticada acabou se estragando. E nesse processo, quase nada de impactante aconteceu, oferecendo ao público capítulos mornos.

E olha que foram episódios curtos, com o quinto tendo somente 33 minutos de cena, por exemplo. Imaginando Invasão Secreta feita para o cinema, haveria mais urgência e menos tapeação. A sensação que a minissérie passa é de puro cansaço, igual ao maratonista amador que se esforça além da conta, suando à beça, até cruzar a linha de chegada.

Matthew Broderick em cena da minissérie Império da Dor
Matthew Broderick em cena da minissérie Império da Dor

Império da Dor (Netflix)
A verdade é que Império da Dor se perdeu na sombra da excelente e premiada Dopesick, série que veio antes e falou do mesmo tema: a epidemia de opioides nos Estados Unidos. Nesse cenário, o drama da Netflix se apresentou sem identidade, flertando entre ser uma série de ficção propriamente dita ou um documentário.

Império da Dor pecou por conta do didatismo exagerado. Culpa disso foi a escolha de ter uma narração em off que estragou a experiência, praticamente virando uma aula cansativa acerca do tema.

Débora Nascimento em cena de Olhar Indiscreto
Débora Nascimento em cena de Olhar Indiscreto

Olhar Indiscreto (Netflix)
O ano de 2023 foi maravilhoso para o Brasil no quesito séries de qualidade e imperdíveis. Entretanto nem tudo foi uma maravilha, pois muitas bombas foram soltadas nesses últimos doze meses. Um exemplo disso é Olhar Indiscreto, que chegou na Netflix prometendo entregar tudo, um thriller erótico para arrebentar.

Sim, arrebentou foi com o tempo livre do coitado do telespectador que comprou a ideia do marketing da gigante do streaming e deu o play na série. A Netflix usou o voyeurismo e a promessa de cenas de sexo quente na campanha publicitária, juntando isso ao clima de trama policial. No final das contas, restou apenas a frustração.

Fica claro que o sexo é o carro-chefe da atração. Se ao menos o erotismo fosse bom… O aspecto voyeur, tão propagado, logo se dissipa. As coreografias das transas e o jogo da sedução são protocolares até, sem muita ousadia ou originalidade. O sexo ruim e sem sal foi isca para a trama capenga.

Toni Collette com John Leguizamo em O Poder
Toni Collette com John Leguizamo em O Poder

O Poder (Prime Video)
A palavra que define a série O Poder é… decepção. O drama tinha tudo para dar certo, baseado no (incrível) livro homônimo de Naomi Alderman. Até a impagável Toni Collette estava no elenco, ajudando o desenvolvimento de uma boa premissa. Entretanto, o resultado entregue foi péssimo. Frustrante e confusa, a adaptação não funcionou, com a narrativa trafegando em uma montanha-russa de altos e baixos; mais baixos do que altos.

O maior erro de O Poder foi juntar um monte de histórias, em lugares completamente diferentes ao redor do mundo, em cada episódio. Virou uma salada de gosto duvidoso. Não é fácil juntar tantas histórias diferentes, com personagens tão distintos, em um único episódio. Game of Thrones fez isso muito bem, não à toa ganhou prêmios por causa do roteiro.

Taylor Schilling em cena de Querido Edward
Taylor Schilling em cena de Querido Edward

Querido Edward (Apple TV+)
Comparações são boas porque ajudam o telespectador a entender minimamente a pegada de uma nova série. Antes mesmo da estreia, Querido Edward foi equiparada a This Is Us. Acontece que uma não poderia ser mais diferente da outra. Maçante e sem carisma, com carga negativa pesada do começo ao fim, Querido Edward abusou do sofrimento melodramático. Um filme de duas horas seria difícil de engolir, imagina uma atração com dez episódios?

Como nenhuma desgraça é completa, alguém escapa. Taylor Schilling ganhou um palco para mostrar todo o seu talento. Indicada ao Emmy por Orange Is the New Black, ela se entregou em um papel difícil, desafiador e bem dramático.

Com essa série, o Apple TV+ prova que não é perfeito. Raramente a plataforma paga mico com alguma atração ruim, mas essa foi uma clamorosa bola fora. É uma experiência angustiante e não recomendável.

Lily-Rose Depp com Abel Tesfaye em The Idol
Lily-Rose Depp com Abel Tesfaye em The Idol

The Idol (HBO)
Não há exagero na frase a seguir: The Idol é a pior série da história da HBO. Desde o princípio, o drama sem pé nem cabeça foi cercado de controvérsias, fadado ao fracasso antes mesmo de entrar no ar. E bem no meio da produção, ele passou por um completo reboot e precisou ser refeito praticamente do zero, resultando em caos nos bastidores. Uma das consequências disso foi ter um episódio a menos do que planejado (cinco ao invés de seis).

Os críticos dispararam contra The Idol, dizendo coisas tipo: “The Idol é mais tóxica e muito pior do que você ouviu falar”; “É vulgar, um pornô da tortura”; “É cruel, grotesca e sexista”…

Protagonista masculino do drama, Abel Tesfaye, o The Weeknd, é o dono incontestável do troféu de canastrão do ano, na linha “como ator é um ótimo cantor”. Compensando o balanço, a sua principal colega de cena, Lily-Rose Depp, se sobressaiu de maneira exemplar, passando por cima de qualquer polêmica ao entregar uma atuação excelente. Ela, sem dúvida, merece coisa melhor na sequência de sua carreira.

Rodrigo Santoro com Sarah Michelle Gellar em Wolf Pack
Rodrigo Santoro com Sarah Michelle Gellar em Wolf Pack

Wolf Pack (Paramount+)
Foi com muita expectativa que Wolf Pack, com o ator brasileiro Rodrigo Santoro de protagonista, estreou no streaming da montanha, em janeiro. Ele contracenou com Sarah Michelle Gellar (Buffy, a Caça-Vampiros) na trama teen sobrenatural sobre lobisomens. A crítica reprovou a narrativa, rotulando-a de “mais do mesmo”.

Os pontos negativos foram: “CGI [efeitos computadorizados] inconsistente e, frequentemente, desleixado”; falta de apresentar algo excitante; enredo sem foco… Dan Fienberg, experiente crítico da revista The Hollywood Reporter, rotulou a produção do Paramount+ de “deplorável”.


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