ESPECIAL

De sexo censurado a episódio perdido: os segredos da franquia Law & Order

Fórmula simples faz o drama policial e jurídico ser sucesso no mundo inteiro
DIVULGAÇÃO/NBC
Mariska Hargitay na 24ª temporada de Law & Order: SVU
Mariska Hargitay na 24ª temporada de Law & Order: SVU

Há 33 anos, o produtor decano Dick Wolf colocou no ar uma série cuja proposta era simples: mostrar um crime, mergulhar na investigação policial e finalizar a história com um julgamento. Assim nascia Law & Order, drama policial e jurídico que está prestes a atingir a marca de 500 episódios e gerou seis spin-offs (dois estão em atividade). 

As séries da franquia Law & Order são merecedoras de críticas negativas, como o fato de muitas vezes ser uma “propaganda da polícia”, no sentido de acobertar falhas, e perpetuar uma imagem falsa do sistema jurídico. Essa linha de trabalho, contudo, é a idealizada por Dick Wolf lá nos primórdios. O objetivo dele era retratar uma visão mais otimista e positiva da polícia e do judiciário americano.

Dito isso, a franquia Law & Order desfruta de sucesso sem igual. O Diário de Séries separou alguns segredos acerca das atrações desse universo que conquistou uma legião de fãs ao redor do mundo.

Jerry Ohrbach (à esq.) com Chris Noth em Law & Order
Jerry Ohrbach (à esq.) com Chris Noth em Law & Order

Foco na narrativa: invariavelmente, boa parte dos fãs de séries seguem a moda (tramas populares) ou vão atrás de grandes produções dignas de Emmy. Law & Order, por sua vez, mantém a mesma pegada focada na boa narrativa semana após semana, consistência que satisfaz, pois assim é criada uma relação de proximidade e intimidade com a audiência. Isso justifica a existência das séries, que atravessam gerações e eras do entretenimento.

Profeta: lá nos anos 1990, Dick Wolf já desenhava o futuro de Law & Order como uma franquia composta por várias séries diferentes, todas ambientadas no mesmo universo. É o que exatamente hoje quase todo o streaming quer fazer. E Wolf teve de peitar os executivos da rede NBC contrários a essa ideia de dedicar três horas do horário nobre com dramas irmãos. Hoje, a emissora do pavão dedica as noites de quinta-feira para exibir as três séries vigentes da franquia.

Consistência: um fator que faz com que uma série perca a identidade é a mudança constante de showrunner e de peças-chave nos bastidores. Desde a primeira temporada de Law & Order, em 1990, Dick Wolf conta com a ajuda do cineasta Arthur Forney. Ele gerencia cada trabalho de pós-produção da franquia. Além de saber exatamente o que o chefe gosta ou não, Forney age como o grande curador da narrativa, fazendo de tudo para que não sejam perdidas as características mais primárias.

True crime na veia: hoje moda, de podcasts a séries, o true crime (crimes reais) está presente em Law & Order desde o berço. Dick Wolf tinha essa ideia de encenar fatos reais. E das páginas dos jornais/sites vieram inspirações para muitos casos, como polêmica sobre Michael Jackson e pedofilia, assédio sexual na TV, crimes sexuais na Igreja Católica, cartéis de drogas e muito mais.

Poder de reinvenção: seguir as manchetes da imprensa é uma maneira de toda Law & Order se manter atualizada. Seja na divisão policial e jurídica, as atrações buscam seguir a modernidade e se reinventam, desde a maneira de se fazer uma investigação a novas maneiras de abordar um caso no tribunal. Isso faz a série veterana manter-se “novinha.”

Sexo censurado: quando teve a ideia de fazer Law & Order: Special Victims Unit, Dick Wolf queria outro título para o drama: Sex Crimes (Crimes Sexuais, em tradução direta). Mas os executivos do grupo NBCUniversal censuraram a palavra “sex”, por mais que sexo seja atraente e tudo mais, algo que move o povo, invariavelmente. Então, Wolf pegou inspiração na realidade, mais uma vez, a adaptou o nome de um departamento que existe na polícia nova-iorquina, batizada de Special Victims Division.

Episódio perdido: em 24 anos de história, Law & Order SVU só deixou de exibir um episódio uma única vez. Em 2016, foi gravado um caso no qual um político, com estilo de Donald Trump, foi acusado de assédio sexual por várias mulheres durante uma campanha eleitoral. Após Trump se tornar presidente dos Estados Unidos, a NBC decidiu engavetar o episódio. A única imagem que se tem desse capítulo é uma chamada promocional (veja vídeo abaixo).

Gírias com quem entende: certamente, as cenas mais cringes de qualquer produção se dá em ambientes nos quais quem escreve os roteiros não tem familiaridade com determinado assunto. Isso acontece, por exemplo com personagens que vem das ruas, dos guetos, da periferia. O rapper Ice-T, que vive o policial Odafin Tutuola em SVU, cansou das gírias constrangedoras que escreviam para o personagem. A própria lenda do hip-hop passou a intervir nos roteiros, com aprovação da equipe, para inserir um dialeto das ruas mais adequado.

Didatismo: se existe a questão negativa da “propaganda da polícia”, Law & Order colhe positividade com as histórias contadas. As tramas de SVU causam um impacto educacional relevante na audiência, que fica mais atentas e informada sobre crimes sexuais, seja o assédio disfarçado de cantada ou investidas agressivas. Os episódios ajudam a propagar a importância do consentimento na hora do sexo e da necessidade de fazer uma denúncia, se um crime ocorrer.

Os episódios inéditos de Law & Order (original) e Law & Order: SVU são exibidos no canal Universal, nas noites de terça, a partir das 21h30. Veja onde assistir às series da franquia nos streamings:

Law & Order – Prime Video e Globoplay
Law & Order: SVU – Prime Video e Globoplay
Law & Order: Crime Organizado – Star+ e Globoplay


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