ANÁLISE

Daisy Jones é a chance do Prime Video ganhar Emmy inédito de melhor minissérie

Sem The White Lotus no meio do caminho, disputa pela estatueta está aberta
DIVULGAÇÃO/PRIME VIDEO
Sam Claflin em cena da minissérie Daisy Jones & The Six
Sam Claflin em cena da minissérie Daisy Jones & The Six

Com uma produção estupenda e bem acima da concorrência, Daisy Jones & The Six é a chance real do Prime Video ganhar, pela primeira vez, o Emmy de melhor minissérie. Sem The White Lotus na briga, empurrada para as categorias de drama, a disputa pela estatueta está totalmente aberta. Agora, Dahmer: Um Canibal Americano ganhou o carimbo do (leve) favoritismo, mais pelo quesito popularidade. Por isso, levando em conta aspectos técnicos, Daisy Jones & The Six tem a vantagem.

Assim como a Netflix, o Prime Video está nesta de produzir séries originais há dez anos. Diferentemente da maior rival, a plataforma da Amazon não tem um desempenho de fazer inveja nas principais categorias do Emmy: melhor drama, comédia e minissérie.

Ao menos o Prime Video tem um feito histórico que ninguém tira. Foi o primeiro streaming a ganhar a estatueta de melhor comédia, com The Marvelous Mrs. Maisel, em 2018. E, no ano seguinte, levou a categoria novamente, com Fleabag (coprodução com a BBC).

Porém, na corrida de melhor drama, o Prime Video só teve uma única indicação: The Boys, em 2021. O mesmo ocorreu com as minisséries: The Underground Railroad, também na edição de dois anos atrás.  

A monumental The Underground Railroad foi muito condecorada no circuito de premiações, arrebatando o troféu de melhor minissérie no Globo de Ouro, entre outros. Contudo, no Emmy, não foi páreo para O Gambito da Rainha, da Netflix.

Riley Keough na minissérie Daisy Jones & The Six
Riley Keough na minissérie Daisy Jones & The Six

Em defesa de Daisy Jones & The Six

Todas as minisséries na disputa do Emmy deste ano precisam agradecer os deuses por não terem de encarar The White Lotus. Caso contrário, a produção da HBO seria a favorita disparada, sem qualquer chance para a concorrência.

Com o caminho livre, Daisy Jones & The Six está bem posicionada. A narrativa sobre uma banda ficcional dos anos 1970, que alcançou o estrelato tão rápido quanto se desmanchou, apresenta uma produção caprichada, sendo a melhor direção de arte entre todas as outras minisséries.

Roteiro e direção também estão coesos, entregando bem ao telespectador a proposta da trama, que é mostrada como se fosse um documentário, com os integrantes do grupo, cujo nome batiza a série, dando depoimentos como tudo se deu, da ascensão à queda.

A originalidade de Daisy Jones & The Six chama a atenção, chegando ao ponto de confundir alguns telespectadores, achando que a banda em questão existiu de verdade.

Há pontos negativos na minissérie do Prime Video sim, não é uma atração perfeita e inconteste. Contudo, as rivais não são extremamente fortes.

Dahmer: Um Canibal Americano, por exemplo, não chega nem perto do nível de produção de Daisy Jones. O trunfo da minissérie da Netflix é a atuação do elenco, com destaque absoluto para Evan Peters, talvez a maior barbada do Emmy deste ano, vencedor com antecipação na disputa de melhor ator de minissérie.

A briga está em um nível tão baixo que até mesmo a sofrível A Vida Nova de Toby (Star+, no Brasil) está cotada para ser indicada. Em um cenário ideal, Black Bird (Apple TV+) teria uma posição de maior destaque, flertando com o topo inclusive.

O fim da inscrição do Emmy de 2023 se dá em 31 de maio. Até lá, muitas minisséries vão estrear. Três chamam a atenção e tem de ser acompanhadas de perto, podendo chegar forte na premiação: Amor e Morte (HBO Max), White House Plumbers (HBO) e Extrapolations – Um Futuro Inquietante (Apple TV+).

Contudo, neste momento, Daisy Jones & The Six é quem merece o Emmy de melhor minissérie.


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