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Crítica: A Nova Vida de Toby é pobre, rasa e desperdiça elenco talentoso

Minissérie baseada em best-seller funcionaria melhor como filme
DIVULGAÇÃO/FX
Claire Danes com Jesse Eisenberg em A Nova Vida de Toby
Claire Danes com Jesse Eisenberg em A Nova Vida de Toby

Baseada em livro best-seller e premiado, a minissérie A Nova Vida de Toby (Star+) é mais um claro exemplo de trama que funcionaria melhor condensada dentro de 90 minutos, como em um filme, do que em sete horas na TV.  Ao contrário dos personagens podres de rico, a narrativa sobre um casamento arruinado é pobre. Não há profundidade, mesmo com tanto tempo de cena. E mais: o talento do elenco classe A é desperdiçado.

O entrave da atração está no jeito em que a história é contada e apresentada. Autora do livro Fleishman Is in Trouble, usado de inspiração para a minissérie, Taffy Brodesser-Akner foi a showrunner do projeto televisivo, além de assinar sete dos oito episódios, primeira investida da carreira da jornalista nesse meio. Fica evidente a falta de trejeito dela de encontrar a forma mais adequada de se fazer TV.

Em alguns momentos, certos diálogos funcionam bem (ctrl-c/ctrl-v do livro). Mas a narração da personagem Libby (Lizzy Caplan), que destrincha o divórcio do amigo Toby (Jesse Eisenberg), é mal executada. Muitas vezes, parece que a minissérie vira uma palestra, na qual os atores são meras figuras para ilustrar determinada mensagem panfletária.

A premissa de A Nova Vida de Toby até que é interessante. Diferentemente do que é mais comum, é o marido, Toby, que é deixado pela mulher, Rachel (Claire Danes). Com carreiras bem-sucedidas (ele um cirurgião, ela uma agenciadora de talentos), os dois entram em um espiral na jornada pós-separação, tentando achar um equilíbrio na nova vida enquanto precisam encontrar a melhor solução para criar os dois filhos pequenos (uma menina de 11 anos e um garoto de 9).

Contudo, a narrativa não explora como poderia essa situação entre o casal, apostando em encenações rasas sobre a solteirice e a frustração de lidar com um rompimento nada agradável.

Lizzy Caplan em cena de A Nova Vida de Toby
Lizzy Caplan em cena de A Nova Vida de Toby

A Nova Vida de Toby tem poucos flashes dignos de nota positiva. O ponto alto da trama se dá quando Toby e Rachel interagem com os filhos, cada um expondo a insegurança de não fazer ideia de como será a vida das crianças com pais separados. Toby chega a temer que as crias vão se distanciar dele. Já Rachel tem uma reação brutalmente honesta, como se ser mãe fosse um fardo que não queria carregar.

Na medida do possível, o trio principal de atores tira leite de pedra com os respectivos personagens. Jesse Eisenberg foi bem escalado. Lizzy Caplan surpreende na pele de uma personagem mais vulnerável do que comumente defende no mundo das séries. Já Claire Danes faz o melhor que pode, gastando todo o seu talento, mas o papel lhe dado não ajuda muito.

Quem quiser ver realmente como é encarar um divórcio, com direito a DRs sem fim e angustiantes, pode ir sem medo assistir a boa Scenes From a Marriage (HBO e HBO Max). Com atuações impecáveis de Oscar Isaac e Jessica Chastain, a minissérie de cinco episódios é o puro suco de um relacionamento amoroso na corda bamba, oscilando entre a paixão ardente e o ódio enfurecido.


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