ANÁLISE

Por que tentam problematizar Wandinha com acusações de racismo e queerbaiting?

Novo hit mundial da Netflix é alvo de quem procura algum defeito moral na trama
DIVULGAÇÃO/NETFLIX
A atriz Joy Sunday em Wandinha
A atriz Joy Sunday em Wandinha

A série Wandinha, novo hit mundial da Netflix, paga o preço por estar no topo. Comentários desconectados do bom senso acusam a comédia ironicamente macabra de racismo e queerbaiting (termo que será explicado a seguir). O fato é que não há nem uma coisa nem outra. Assim, cabe perguntar por qual razão tentam problematizar a atração que conquistou milhões de telespectadores ao redor do planeta.

Uma expressão popular se enquadra perfeitamente nesse caso: procurar pelo em ovo. Pessoas criam problemas imaginários e distorcem várias situações da série querendo achar argumentos que sustentem o ponto de vista errôneo, de que há falhas morais na narrativa de Wandinha. [cuidado: próxima frase contém ironia] Claro, só quem tem uma mente mais avançada e progressista consegue enxergar tamanha problemática.

Pegando pela acusação mais grave, de racismo em Wandinha, tem de se pontuar algo fundamental. É preciso ter provas para apontar que algo ou alguém é racista, pois racismo é crime. E fazer acusações sem provas também é crime. Logo, esse assunto tem de ser abordado com cuidado.

Quem vê racismo em Wandinha aponta a funcionalidade de personagens negros na trama. Segundo essa visão, eles servem apenas de vilões e valentões da história. Usam como exemplo Bianca Barclay, interpretada por Joy Sunday. A verdade é que essa personagem se apresenta nada mais do que rival de Wandinha (Jenna Ortega) no início da narrativa, mudando de postura com o passar do tempo.

O exercício de encontrar alguma coisa racista em Wandinha, tirada do contexto, serve para ligar com outro abacaxi. Isso porque Tim Burton, diretor e produtor executivo da atração, tem a sua parcela de polêmicas acerca de representatividade racial. A conclusão desse povo é: se Tim Burton é racista (ou tem postura de racista), logo Wandinha também o é.

A pessoa que terminou Wandinha sem o conhecimento dessa acusação e se depara com ela fica espantado por não ter percebido nada de racismo na série. Quando há algo assim, quando uma trama é preconceituosa na raiz, é possível notar isso explicitamente, mesmo por alguém que não é tão politizado (woke). Wandinha só é vítima de um mundo contaminado por teorias da conspiração.

Emma Myers em Wandinha
Emma Myers em Wandinha

O que é queerbaiting em Wandinha?

O termo queerbaiting serve para definir uma tática supostamente presente no mundo do entretenimento em particular. É quando uma produção, da TV ou do cinema, arma uma amizade muito próxima e íntima entre dois personagens do mesmo sexo, com o objetivo de atrair o público LGBTQIA+. Só que nada rola entre eles romanticamente, sendo essa trama apenas uma isca (bait, em inglês).

No mundo das séries, uma das narrativas recentes mais discutidas dentro desse assunto foi Supergirl (2015-2021). Parte do público queria ver um caso amoroso entre as amigas e rivais da trama, Kara Danvers/Supergirl (Melissa Benoist) e Lena Luthor (Katie McGrath). Como não ocorreu dessa maneira, a atração foi acusada de fazer queerbaiting, só para enganar o público queer.

Algo parecido se dá com Wandinha. Aqui, as acusações giram em torno da amizade da personagem principal com Enid Sinclair (Emma Myers), colega de quarto da garota Addams. Na imaginação de quem detona a série da Netflix, as duas deveriam ficar juntas, namorar. Enquanto que, na verdade, nada remotamente leva a esse caminho.

As duas adolescentes sempre demonstraram interesse em meninos, com Enid se esforçando para ficar com um amigo estudante da escola. E na relação das duas, só há uma amizade pura e simples, de duas garotas com estilos totalmente opostos que se aproximam com o passar do tempo.

Quem está no topo e é relevante sofre ataques desse tipo. Sempre haverá alguém que pegará uma lupa para examinar cada passo, caçando defeitos. Wandinha tem lá seus pontos fracos e não é uma série excelente em todos os quesitos técnicos e artísticos (mas diverte, o que importa no final das contas). Racismo e queerbaiting não fazem parte da balança negativa do novo hit da Netflix.

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