ARMAS NA TV

Séries distorcem realidade em cenas de violência por armas de fogo, diz estudo

Pesquisa analisou 250 episódios de 33 séries, entre as temporadas 19-20, 20-21
DIVULGAÇÃO/NBC
O ator Jason Beghe na série Chicago P.D.
O ator Jason Beghe na série Chicago P.D.

Um estudo minucioso da Universidade do Sul da Califórnia (USC) concluiu que séries, policiais ou não, distorcem a realidade ao mostrar cenas de violência por armas de fogo. Na lista dos maiores equívocos estão as vítimas nesses casos fictícios (predominantemente pessoas brancas) e a narrativa do policial simpático, cujas ações em relação ao uso de força letal são justificadas. 

O departamento de mídia da USC analisou 250 episódios de 33 séries da TV americana, das temporadas 2019-2020, 2020-2021. Os objetivos eram: verificar a encenação de práticas que mostrem o uso seguro de armas, elencar discussões sobre leis regulatórias sobre armas, ver como são as características e atitudes de quem está de posse de alguma arma e registrar as identidades das vítimas de armas de fogo.

Com 20 páginas, o relatório ganhou o nome de Shooting Straight: o que as histórias da TV nos dizem sobre uso seguro de armas, como as cenas afetam a audiência e o que pode ser feito para melhorar (em tradução livre, clique aqui e veja o estudo, em inglês).

Em resumo, armas foram “onipresentes” nas séries analisadas, segundo a pesquisa. Porém, representações de armas sendo guardadas em casa de forma segura ou coisas relacionadas foram “raras”. Além disso, as vítimas de armas de fogo eram “desproporcionalmente” brancas.

Foi dado um alerta sobre isso: “Jovens pretos têm 20 vezes mais chances de serem mortos por uma arma de fogo do que jovens brancos. A representação imprecisa de vítimas de armas mascara as maneiras pelas quais os tiroteios cometidos por policiais afeta as minorias. Negros americanos são três vezes mais propensos a serem mortos nas mãos da polícia.”

Na outra ponta desse problema está a glorificação do policial herói (na maioria dos casos são “tiras” brancos que perseguem criminosos negros, cujas vítimas são pessoas brancas). Esse tipo de representação foi bastante criticada durante os protestos que eclodiram nos Estados Unidos, em maio de 2020, após o assassinato de George Floyd, morto por um policial.

A pesquisa deu uma sugestão aos criadores de conteúdo de séries, especialmente as policiais: “Evite retratar o uso da força pela aplicação da lei como um ato heroico. Ao invés de simplesmente cancelar tais narrativas, as séries podem apresentar tramas mais elaboradas e diversificadas em torno do uso da força policial, evitando retratar tais ações como heroicas e infalíveis.”

Foi dada uma recomendação importante que quase inexiste em dramas policiais. “Considere mostrar personagens policiais enfrentando punições e advertências, ou pelo menos passando por uma investigação interna, após praticarem ações fora da lei. Isso raramente é retratado.”

A cada dez episódios analisados, seis tinham alguma cena com armas de fogo. Mas só 10% abordaram temas como armazenamento seguro de armas dentro de casa ou discussões sobre legislação. As séries que falaram disso provocaram uma resposta positiva do público, que recebeu informações acerca desses dois assuntos de suma importância.

Estas foram as séries analisadas nesse estudo: 911, 911: Lone Star, Um Milhão de Coisas, American Horror Story, Big Sky, Chicago Fire, Chicago Med, Chicago P.D., Cobra Kai, Criminal Minds, FBI, FBI: Os Mais Procurados, Ginny e Georgia, Grey’s Anatomy, Law & Order: Crime Organizado, Law & Order: SVU, Locke & Key, Lucifer, Manifest, NCIS, New Amsterdam, Outer Banks, Ozark, Filho Pródigo, Station 19, The Equalizer, The Good Doctor, The Rookie, This Is Us, The Walking Dead, Inacreditável, Virgin River e You.

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