CRÍTICA

Santo tem um dos piores primeiros episódios de séries dos últimos tempos

Drama policial estrelado por Bruno Gagliasso estreou na Netflix na última sexta (16)
REPRODUÇÃO/NETFLIX
O ator Bruno Gagliasso na série Santo
O ator Bruno Gagliasso na série Santo

Produção da Netflix gravada na Espanha e no Brasil, Santo estreou com o pé esquerdo: apresentou um dos piores primeiros episódios de séries dos últimos tempos. Nenhum dos detetives da trama seria capaz de explicar ao telespectador o que tentou ser narrado ali, uma sucessão de cenas confusas, cortadas subitamente e desconectadas.

É uma pena esse tropeço, pois o primeiro episódio (chamado no mercado de piloto) é o cartão de visita de qualquer atração. A função do capítulo inicial é, com detalhes, introduzir ao público qual é a história da série, quem são os personagens e a motivação deles. Santo falha em todos esses quesitos.

O que fica claro é: está à solta o traficante de drogas mais procurado do mundo, que ninguém nunca viu o rosto. Ele supostamente tem envolvimento com outros crimes, como venda de órgãos e assassinatos. Policiais do Brasil e da Espanha estão no encalço do criminoso e um trabalho em paralelo se desenrola.

A forma que Santo apresenta a premissa é bem problemática. Ao longo do piloto, cenas que ocorrem na Espanha e Brasil são intercaladas a todo instante. A edição brusca pula de um país para o outro sem mais nem menos. Na metade do episódio não dá para entender o que realmente está acontecendo em nenhuma das partes, seja com os policiais espanhóis ou brasileiros.

Na tela, são colocados avisos onde a cena se passa, Madrid ou Salvador. Mais importante do que isso, já que chega uma hora que dá para saber em qual local os personagens estão sem esse informe, seria identificar quanto tempo passou de uma cena para outra. Ernesto Cardona, personagem de Bruno Gagliasso, embarcou em missões que, aparentemente, tiveram semanas entre elas. Mas parece que foi do dia para a noite.

Outro erro de Santo é não pontuar claramente a motivação dos personagens. Claro, a polícia corre atrás de bandido. Mas por quê? Nem Ernesto, no Brasil, nem Miguel (Raúl Arévalo), na Espanha, dão sinais evidentes disso no primeiro episódio.

Lançada na última sexta-feira (16), Santo tem um gancho mirabolante no final do piloto que fisga o espectador mais pela curiosidade do que pela eficiência da execução, sobre como se chegou até ali. Isso até deve gerar uma audiência razoável. 

Mesmo que faça um sucesso estrondoso, falta (muita) qualidade. É isso por causa de um primeiro episódio bastante ruim, tão capenga que chega a impressionar por causa das falhas gritantes de uma produção aprovada pela Netflix.

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