3ª TEMPORADA

Crítica: doçura de Ted Lasso é deliciosa… até enjoar

Comédia do Apple TV+ perde a graça ao insistir na mesma fórmula
DIVULGAÇÃO/APPLE TV+
Jason Sudeikis na 3ª temporada de Ted Lasso
Jason Sudeikis na 3ª temporada de Ted Lasso

Um docinho, de qualquer tipo, é irresistível, diz aí? Agora, o mesmo a toda hora perde a graça, enjoa. É nessa situação que Ted Lasso (Apple TV+) está na atual terceira temporada. A doçura da trama, personificada no protagonista que dá nome à comédia, foi deliciosa, comovente e reconfortante. Foi… A insistência no formato, porém, sobrepõe o humor e a diversão, tornando a série enfadonha.

A desconstrução da masculinidade apresentada em Ted Lasso foi certeira nas duas primeiras temporadas. Todos os personagens homens, do treinador Lasso (Jason Sudeikis) aos seus atletas, demonstraram afeto e afloraram as emoções. A atração, assim, se firmou como parte do grupo de narrativas essencialmente positivas disponíveis na TV.

O humor também esteva presente, principalmente nas trapalhadas de Lasso em se adaptar ao futebol (jogado com os pés), visto que a experiência que tinha até então era com o football (jogado com as mãos). Tal dinâmica se desgastou na terceira temporada. Apostar nisso é repetir o velho truque de mágica que perdeu o encanto.

Nessa terceira temporada, a série até tentou criar um mistério sobre como o treinador Lasso iria responder comentários do ex-pupilo Nate (Nick Mohammed), atual técnico do West Ham, time rival, que o ridicularizou publicamente. Deu para antever a quilômetros de distância que o “professor” do AFC Richmond não iria ter um ataque de fúria na coletiva de imprensa.

Claro, Lasso foi charmoso (doce) e conquistou os repórteres com piadas autodepreciativas. Não teve ali nada de inesperado, surpreendente.

Para ser um pouco diferente, injetar novos ares, a comédia introduz um personagem que promete sacudir a narrativa, um jogador espalhafatoso que imita a marra e estilo de Zlatan Ibrahimović. Nesse ponto, Ted Lasso tem um terreno fértil para explorar.

Por outro lado, a jornada de Keeley (Juno Temple) como dona de uma empresa de relações públicas é uma cópia da própria atração. Ela caminha para ser a versão feminina do treinador Lasso, que com charme, bondade (e doçura) vai tentar animar o escritório composto por funcionários introvertidos. A empresária busca conselhos do amigo sobre como reverter o clima quase fúnebre da firma e até tem uma própria pupila.

Daí, Ted Lasso fica previsível. Sustentada pelas mesmas piadas, ditas apenas de formas diferentes, a série pouco oferece a mais na terceira leva de episódios. Tem-se uma produção ainda forte, com potencial sim de brigar pelo tricampeonato de melhor comédia no Emmy deste ano. Contudo, a magia expirou.


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