TRAMA SEM ALMA

Crítica: A Morte Entre Outros Mistérios é drama ‘quem matou’ café com leite

Nova série até tenta, mas não chega aos pés de outras atrações do mesmo naipe
DIVULGAÇÃO/HULU
Violett Beane em A Morte Entre Outros Mistérios
Violett Beane em A Morte Entre Outros Mistérios

A série A Morte Entre Outros Mistérios (Star+) até tenta, mas não passa da segunda divisão dos dramas de mistério do tipo “quem matou”. A trama preguiçosa, estilosa mas sem alma, é café com leite e não chega aos pés de outras atrações do nicho como Only Murders in the Building e Assassinato no Fim do Mundo, para citar apenas dois exemplos de séries da mesma linha disponíveis no Star+.

Quando bem executada, a fórmula “quem matou” é infalível. Ao contrário, torna-se enfadonha, que é o caso de A Morte Entre Outros Mistérios. Os dois pontos mais importantes de tramas de suspense desse estilo são frágeis na nova atração do streaming da Disney, tanto a revelação da pessoa que cometeu o tal assassinato como a jornada até essa descoberta.

A história tem no centro Rufus Coteworth (Mandy Patinkin, de Homeland), rotulado como o melhor detetive do mundo. Ele embarca em um cruzeiro nababesco onde tudo corria bem até um dos passageiros aparecer morto. Acontece que a fama de Rufus vem do passado, pois atualmente vive em desgraça e sem prestígio. Mas até a polícia de verdade chegar no navio, a investigação fica por sua conta.

Ele se depara com a jovem Imogene Scott (Violett Beane, de The Flash), com quem carrega uma história conturbada do passado. Ele foi designado para resolver o assassinato da mãe da garota, mas não solucionou o crime. Isso a fez odiar com todas as forças o “melhor detetive do mundo.”

Acontece que é justamente Imogene a principal suspeita do crime no cruzeiro, pois ela foi a última pessoa vista a entrar no quarto do passageiro encontrado morto. Visando indiretamente se redimir, Rufus quer ajudar Imogene a provar sua inocência. Para tanto, precisa de sua colaboração, por mais difícil que seja guardar as mágoas cortantes de outrora.

A largada de A Morte Entre Outros Mistérios é até interessante, mas os tropeços não tardam a aparecer. Um dos pecados da série se dá no desenrolar de sua história, caindo em círculos ao invés de avançar com intrepidez. As reviravoltas são tão infantis ao ponto de o telespectador mais treinado em tramas “quem matou” achar tudo aquilo um insulto à inteligência.

Com produção luxuosa, a nova série do Star+ engana. O cenário é muito bonito, o visual é estonteante, chamam a atenção os figurinos e a decoração… O detalhe é que com o progresso do tempo, a pessoa pode até nem lembrar mais que tudo aquilo se passa em um cruzeiro.

A atração meio que esquece que os personagens estão em um navio em pleno mar. Nada é feito para transmitir a impressão de que aquilo é um cruzeiro, de fato, e não um hotel ficando em terra firme.

A Morte Entre Outros Mistérios faz pouco para fugir dos clichês, como apresentar todos os personagens mentindo e guardando segredos somente para manter vivo um mistério raso. É o truque do “eu complico para descomplicar depois”. E a narrativa logo perde o rumo, esgotando ideias e exalando falta de criatividade.

Quem realmente gosta de séries “quem matou” pode até engolir A Morte Entre Outros Mistérios e chegar ao final. A recomendação, contudo, é investir esse tempo em outras produções do mesmo naipe, entretanto de maior qualidade e que podem ser vistas no próprio Star+.


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