ANÁLISE

Calma! Final de Bem-Vindos à Vizinhança é coerente e tem explicação

Desfecho da trama divide opiniões; veja uma alternativa de interpretação
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Jennifer Coolidge em cena de Bem-Vindos à Vizinhança
Jennifer Coolidge em cena de Bem-Vindos à Vizinhança

[Atenção: spoilers a seguir]
Muitas pessoas que já terminaram a minissérie Bem-Vindos à Vizinhança, lançada pela Netflix na última quinta-feira (13), se revoltaram com o final inconclusivo. É uma raiva desmedida por duas razões: a história real, usada como inspiração para a trama, não teve desfecho, e o objetivo da narrativa não é descobrir a identidade do Observador. Há muito mais por trás disso.

Bem-Vindos à Vizinhança segue a rotina da família Brannock prestes a viver o sonho de morar em uma casa nababesca. Contudo, as coisas mudam rapidamente após cartas anônimas chegarem no endereço do imóvel. O conteúdo das mensagens apresenta ameaças, causando pânico e temor.

Desde o primeiro episódio, a minissérie traça muito bem quais as pessoas podem ser o tal Observador. Seriam os vizinhos enxeridos? A corretora de imóveis vingativa? O jovem instalador de câmeras bisbilhoteiro? Ricaços que perderam a casa para os Brannocks durante as negociações?

Assim, o espectador embarca logo na brincadeira e começa a investigar de perto quem é quem, tentando acertar a identidade do Observador. Após esse investimento, é compreensível um quê de frustração ao chegar no final e ver a história terminando em aberto, apesar do aviso dado pela série depois da última cena: “O caso do Observador continua sem solução.”

A decepção surge porque quem se dedicou à trama quer saber se pode largar o ganha-pão e virar um detetive, por ter acertado quem é o suspeito, ou se simplesmente errou o chute. Como a história real não teve conclusão, Bem-Vindos à Vizinhança agiu corretamente em não tomar a liberdade criativa de determinar a figura do Observador. Deixar no ar foi a melhor opção.

Final explicado de Bem-Vindos à Vizinhança

É preciso entender o nível de paranoia da família Brannock em justamente não saber quem era a pessoa atrás das cartas macabras a ponto de, na vida real, tomar um prejuízo milionário para se livrar do imóvel. Qualquer pessoa pode ser suspeita, mesmo quem está debaixo do mesmo teto. Em quem confiar?

Um exercício recomendável é conversar com outras pessoas que também assistiram Bem-Vindos à Vizinhança e perguntar quem elas acham ser o Observador. Se a conversa envolver umas quatro pessoas, é quase certo que serão quatro respostas diferentes. E esse é o barato da narrativa criada (lembrando: na vida real, a família só comprou a casa, recebeu as cartas, mas nunca morou na residência).

Cada pessoa, dependendo da experiência de vida e dos valores que possui, vai apontar um suspeito diferente em relação à outra, justamente pelos mesmos motivos. Quem é mais prático vai escolher Fulano, o espectador que valoriza relações familiares vai para outro caminho, o mesmo vale para alguém mais voltado às conquistas materiais.

Nessa hipotética conversa em grupo, percebe-se que a escolha do Observador varia por causa do que é mais importante para cada um. Bem-Vindos à Vizinhança é interessante nesse aspecto, de fazer pensar e ir além de um final burocrático.

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