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Animal Kingdom é baseada em história real? Conheça origem da série

Drama criminal entra no catálogo da Netflix nesta terça-feira (3)
DIVULGAÇÃO/TNT
Na série Animal Kingdom, Ellen Barkin (à esq.) vive personagem inspirada em Kath Pettingill
Na série Animal Kingdom, Ellen Barkin (à esq.) vive personagem inspirada em Kath Pettingill

Produção do canal americano TNT exibida de 2016 a 2022, Animal Kingdom passa a ficar disponível na Netflix a partir desta terça-feira (3). A série criminal, com seis temporadas e 75 episódios, segue os passos de um adolescente cuja vida desmorona após a morte da mãe. Sem alternativas, ele passa a morar com parentes. Num cenário aparentemente tranquilo, revela-se uma família envolvida em atividades ilícitas.

Animal Kingdom é baseada em uma história real, mas não é uma adaptação direta. Enquanto a trama tem a Califórnia servindo de cenário, os fatos se deram na Austrália. A família Cody do drama é totalmente ficcional, enquanto a famosa e temida família Pettingill protagonizou os acontecimentos criminais no país da Oceania.

A história real da família Pettingill
A família Pettingill é um clã criminoso sediado em Melbourne (Austrália), liderado pela matriarca Kath Pettingill (adaptada em Janine “Smurf” Cody, personagem de Ellen Barkin em Animal Kingdom). Os integrantes do clã, principalmente nos anos 1970 e 1980, fizeram de tudo na marginalidade, atuando no tráfico de drogas, no comércio ilegal de armas e em assaltos à mão armada.

Os Pettingills construíram sua reputação no submundo australiano a partir do tráfico de entorpecentes. No centro dessa engrenagem estava Kathleen (Kath ou, no jargão policial, Granny Evil – Vovó do Mal). Ex-dona de bordel, ela se tornou uma figura recorrente nas investigações policiais de Melbourne.

O episódio mais emblemático ligado ao nome da família ocorreu em 1988 e entrou para a história como o caso Walsh Street. Dois policiais foram assassinados a tiros enquanto apuravam a existência de um carro abandonado. O crime ganhou repercussão nacional.

Dois filhos de Kath, Trevor Pettingill e Victor Peirce, chegaram a ser acusados pelos homicídios, mas acabaram absolvidos. Anos depois, porém, Wendy Peirce, viúva de Victor, afirmou publicamente que o marido não apenas planejou o ataque, como também participou diretamente da execução.

Segundo Wendy, não havia arrependimento. Para a dupla, os policiais “mereciam” morrer. A apuração do caso se estendeu durante 895 dias, o inquérito mais longo da história do estado de Victoria, antes de quatro homens finalmente irem a julgamento.

A matriarca do mundo real agia com menos estratégia em comparação com a versão dramatizada. O jornalista e escritor Adrian Tame, autor de uma biografia de Kath publicada em 1996, afirmou que Vovó do Mal não comandava os crimes na figura de cérebro por trás das operações. Os filhos agiam de forma relativamente independente, ainda que a mãe tivesse envolvimento com drogas e prostituição.

O destino dos Pettingills
Com o passar dos anos, a família se fragmentou. Kath vive longe de tudo e de todos na cidade litorânea de Venus Bay, com 90 anos e parcialmente cega em decorrência de um atentado sofrido no passado.

Dos dez filhos, poucos tiveram um desfecho tranquilo. Alguns morreram violentamente, outros passaram longos períodos na prisão, e há relatos de integrantes desaparecidos sob proteção de testemunhas. Victor Peirce foi morto a tiros em 2002, em uma emboscada atribuída ao crime organizado. Kath declarou, na época, que já esperava por esse fim desde os acontecimentos de Walsh Street.

Outro filho, Dennis Allen, apelidado de Sr. Morte pela brutalidade que lhe era atribuída, morreu de ataque cardíaco enquanto aguardava julgamento por assassinato. Jamie Pettingill, por sua vez, faleceu em 1985, vítima de overdose de heroína.

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