
A atriz Melissa Gilbert, conhecida por interpretar Laura Ingalls em Os Pioneiros (1974-1983), cujo remake foi lançado pela Netflix no começo do mês, decidiu rebater as críticas dirigidas à nova versão, batizada em português de Uma Casa na Pradaria. Isso porque parte do público questionou tanto a precisão histórica do roteiro quanto o excesso de liberdade criativa em temas progressistas, além de mudanças nas características e nas biografias dos personagens.
Melissa optou por escrever um texto, em primeira pessoa, publicado no site Substack. Nele, a atriz veterana defende a licença dramática do reboot ao tocar em todos esses pontos sensíveis.
“A nova versão de Os Pioneiros e a original são historicamente precisas? A resposta curta é não: nenhuma das duas é totalmente fiel à época retratada nem aos livros [de Laura Ingalls Wilder]”, afirmou. Para ela, as distinções entre a atual obra televisiva e o material literário original são naturais e compreensíveis.
Para ilustrar o argumento, listou alguns contrastes dignos de nota:
“Mary Ingalls nunca se casou. Carrie Ingalls nasceu em agosto, e não no dia de Natal. Não existiram Albert Ingalls, James ou Cassandra, aliás. Também não houve Jenny Wilder. O irmão de Charles Ingalls não lutou nem morreu na Guerra Civil. Nellie Olsen não se casou com um homem judeu nem deu à luz gêmeos. Essa lista poderia continuar indefinidamente.”
Essas alterações, na visão de Melissa, são exemplos de liberdade dramática, recurso utilizado tanto pelas adaptações televisivas quanto pela própria Laura Ingalls Wilder. A atriz lembrou, inclusive, que a autora também modificou elementos de sua trajetória ao transformar as próprias experiências em literatura. Em Os Pioneiros, por exemplo, as três filhas dos Ingalls aparecem mais velhas do que eram na vida real.
Melissa pediu aos espectadores disposição para acompanhar a nova produção sem se prender excessivamente às divergências históricas e narrativas. A sugestão é aceitar a proposta criativa de cada versão e embarcar na jornada concebida por seus realizadores. Quem gostar pode continuar assistindo; quem não aprovar a abordagem, não precisa acompanhá-la.
“Acredito sinceramente que há muito, muito espaço para novas histórias surgirem do universo de Os Pioneiros nas próximas décadas”, acrescentou. “Talvez um dia alguém faça uma versão reproduzindo, palavra por palavra e cena por cena, os livros escritos por Laura. Talvez alguém leve toda a história em uma direção completamente diferente e a situe em outra linha do tempo… Quem sabe”. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



