
Nova série no catálogo da Netflix, Animal Kingdom chega na terça-feira (3) narrando uma história criminal densa e sinistra. Exibida originalmente no canal americano TNT, de 2016 a 2022, a atração recebeu avaliações medianas da mídia especializada, indo de “imperdível, inteligente e com visual de cinema” a “trama óbvia, escorregadia e sem chance de sobreviver a longo prazo.”
Comentários tão distintos resultaram em uma nota 62 (de 100) no site Metacritic, apenas acima da média. Já no Rotten Tomatoes, o índice da primeira temporada foi de 76%.
A trama acompanha Joshua “J” Cody (Finn Cole), um adolescente de 17 anos cuja vida desmorona após a morte da mãe. Sem alternativas, ele passa a morar com parentes distantes na ensolarada cidade de Oceanside, na Califórnia. É nesse cenário aparentemente tranquilo que se revela uma família envolvida em atividades ilícitas, comandada com mão firme por Janine “Smurf” Cody (Ellen Barkin), a temida e respeitada matriarca do grupo.
O jornal The Detroit News rotulou Animal Kingdom da seguinte forma: “Entre os dramas criminais centrados em famílias disfuncionais e marcados pela crueldade, a série se destaca, rugindo com uma promessa sombria.”
Para o crítico Robert Lloyd, do Los Angeles Times, há um fator importante a se atentar, pois “a atração, realizada com grande competência, é mais sutil do que a premissa faz supor.”
No site Entertainment Weekly, o jornalista Jeff Jensen escreveu que “Animal Kingdom é uma espécie de Sons of Anarchy com prancha de surfe, situado no ponto de interseção entre o pulp refinado e o ‘tanto faz’. As atuações são boas o bastante para dar vida nova à familiaridade dos anti-heróis.”
Traduzindo bem o encontro das críticas no meio do caminho, o site Slant apontou duas coisas: “Animal Kingdom é superficial, carecendo tanto do calor niilista quanto de uma formalidade elegantemente transcendental. Ainda assim, deleita-se de forma decadente na objetificação, com uma falta de pudor curiosamente divertida.”
Muitos críticos erraram na previsão de que o drama criminal iria durar pouco. Até a experiente e respeitada jornalista Maureen Ryan, então no site Variety, ecoou esse sentimento: “Embora o elenco reúna atores consistentes, claramente ávidos por interpretar ladrões de moral duvidosa, os personagens não são escritos com a profundidade e a densidade necessárias para tornar as ondas de crimes da família Cody, seus relacionamentos conturbados e suas tensões latentes em algo realmente digno de acompanhar”.
Animal Kingdom superou esse e outros comentários negativos, indo até a sexta temporada. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



