ESCAPISMO IDEAL

Análise: quem odeia Emily em Paris (ainda) não entendeu o propósito da série

Aquilo que a comédia romântica tem de forte é usado como crítica negativa
DIVULGAÇÃO/NETFLIX
Lily Collins na terceira temporada de Emily em Paris
Lily Collins na terceira temporada de Emily em Paris

A comédia romântica Emily em Paris realmente é um fenômeno. Como explicar tanto ódio contra uma série tão inocente e bobinha, a ponto de existir torcida a favor do cancelamento? Das duas uma: quem odeia as aventuras da marqueteira Emily ou não entendeu o propósito da série… ou simplesmente não quer entender, optando pelo caminho mais fácil do rancor pelo rancor mesmo.

Para a Netflix, até agora, Emily em Paris é um achado daqueles. Além de ser um sucesso inconteste de audiência, só crescendo temporada após temporada, a série ainda ajuda a empresa a aumentar o valor de mercado no mundo das finanças, como os números provam. E isso com um investimento de entrada bem baixo.

Fora que todo esse hype abriu uma oportunidade ousada de realizar um marketing agressivo incomum: ceder um episódio inteiro para o McDonald’s fazer propaganda de lanche

Lily Collins na terceira temporada de Emily em Paris
Lily Collins na terceira temporada de Emily em Paris

Emily em Paris, o escapismo ideal

Enquanto odeiam, Emily em Paris estoura na audiência seguindo a mesma característica lá da primeira temporada, lançada no auge da pandemia de Covid-19: é o escapismo real da dura realidade que o povão vive. Escapismo esse que só funciona porque há uma investida na superficialidade, irrealismo e romances de filmes da Sessão da Tarde, sem esquecer da vida profissional idealizada. São esses elementos usados pelos críticos para chiar, registra-se.

Assistir Emily em Paris é embarcar em uma fantasia, não muito diferente do que uma jornada nas estrelas ou em um mundo rodeado de dragões e elfos. A beleza da capital francesa é admirada de longe por quem nunca sequer sonhou em pisar naquele terreno. A comédia aumenta a dose da boa inveja ao marcar presença nos lugares mais chiques e descolados da Cidade Luz.

Vivida por Lily Collins, a personagem central da narrativa tem uma jornada de conto de fadas moderno. Trabalha tirando selfies, bate cartão usando figurinos ousados e belos (sem repetir o guarda-roupa), está inserida em um triângulo amoroso rodeado de galãs, tem uma vida independente dos pais (bem longe da parentada, inclusive), come nos melhores restaurantes, conquista um job importante tomando sol (e drinques) na beira da piscina… Se formos honestos, todos queríamos passar algumas horas calçando os sapatos de Emily.

Mas o que nos resta é o oposto desse luxo e glamour. Após pegar metrô e ônibus lotados, enfrentando um trânsito caótico, o alento é esquentar algo na air fryer, tomar refrigerante do dia anterior e deixar a mente se desligar do estresse diário viajando para Paris nem que seja por meros 30 minutos, pausa necessária da rotina desgastante. 

Esse é o propósito da série, indicada ao Emmy de melhor comédia (eis outra verdade que os críticos odeiam lembrar e citam com desdém).


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