
O drama policial Dele & Dela entrou para a lista das séries de língua inglesa mais assistidas da história da Netflix. A atração liderada por Tessa Thompson e Jon Bernthal atingiu a marca de 98,2 milhões de visualizações com a somatória dos dados mais recentes (janela de audiência contabilizada entre 6 e 12 de abril), garantindo lugar entre os dez maiores sucessos da plataforma em todos os tempos.
Com esse desempenho, acumulado desde a estreia em 8 de janeiro, a minissérie de suspense ocupa a décima colocação do ranking, retirando da tabela a primeira temporada de O Agente Noturno (de 2023). Na nona posição está a terceira temporada de Bridgerton (106 milhões de visualizações); a liderança é da primeira temporada de Wandinha (252,1 milhões), com quase cem milhões de views acima da vice-líder, Adolescência.
A mudança ocorreu no limite do prazo considerado pelo serviço: a contagem oficial de visualizações leva em conta apenas os primeiros 91 dias após o lançamento de uma produção. No caso de Dele & Dela, esse período se encerrou em 9 de abril; qualquer audiência registrada depois disso ficou fora do cálculo.
Apesar de não ter despontado imediatamente como fenômeno, o thriller ganhou força gradualmente. O crescimento ocorreu sobretudo por recomendação entre espectadores, estratégia informal que impulsionou mais da metade do público total nas semanas iniciais.
Dele & Dela começa sua história no clima abafado de Atlanta, onde Anna (Tessa Thompson) vive reclusa, afastada dos amigos e da carreira como âncora de telejornal. Ao saber de um assassinato em Dahlonega, a cidade pacata em que cresceu, ela se revigora e mergulha no caso em busca de respostas.
Desconfiado do interesse de Anna, o policial Jack Harper (Jon Bernthal) a coloca na mira de suas investigações. Toda história tem dois lados, portanto, há alguém mentindo.
À primeira vista, Dele & Dela parece seguir o caminho conhecido das narrativas policiais: assassinatos brutais, segredos enterrados e versões conflitantes dos fatos. Bastam, porém, poucos episódios para ficar claro que a produção não se acomoda em terreno previsível; ela faz justamente dessa instabilidade seu maior trunfo.
Com somente seis episódios, a minissérie consegue condensar passado e presente de seus personagens sem atropelos, mantendo tensão constante e atenção aos detalhes. Ainda assim, o maior mérito está em subverter expectativas. O suspense central da trama nunca é exatamente aquilo que aparenta ser. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



