
O sindicato dos roteiristas de Hollywood (WGA) surpreendeu a indústria do entretenimento americana ao antecipar um acordo com os principais estúdios e plataformas de streaming. Neste sábado (4), o WGA chegou a um entendimento preliminar de quatro anos com a Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP), entidade patronal responsável por representar companhias como Netflix, Warner Bros., Universal e Paramount nas negociações trabalhistas.
O entendimento ocorre quase um mês antes do vencimento do contrato atual, previsto para 1º de maio. Caso seja ratificado pelos filiados do sindicato, o novo pacto terá duração acima do padrão tradicional de três anos. Para os estúdios, a extensão representa estabilidade adicional, pois reduz a possibilidade de paralisações no curto prazo.
O texto preliminar acordado prevê (entre outras coisas):
- Aumentos em planos de saúde e pensões;
- Ajustes nas remunerações ligadas ao streaming;
- Salvaguardas relacionadas ao uso de roteiros para treinar sistemas de inteligência artificial (este último item foi o mais debatido e crucial para fechar o novo vínculo).
Esse desfecho precoce contrasta com o ciclo anterior de negociações. Em 2023, o sindicato dos roteiristas promoveu uma greve de 148 dias, mobilização histórica voltada a ampliar pagamentos residuais no streaming e regulamentar o impacto da inteligência artificial no trabalho criativo.
Com os trâmites resolvidos com o WGA, os estúdios ainda precisam negociar novos contratos com outros dois sindicatos relevantes do setor: o SAG (atores) e o DGA (diretores). Ambos os acordos vencem em 30 de junho. As tratativas com os atores chegaram a avançar entre fevereiro e março, mas foram interrompidas para priorizar o diálogo com os roteiristas.
Dessa forma, todas as cláusulas acertadas com os roteiristas agora servem de referência para as próximas rodadas de negociação com os atores e diretores, sobretudo em temas comuns aos três sindicatos.
Vale ressaltar que, diferentemente de três anos atrás, as conversas entre o WGA e a AMPTP foram muito menos conflituosas. Isso pelo fato de a indústria do entretenimento estar passando por uma retração global, cenário que reduz o apetite por novas paralisações. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



