
Drama policial em alta na Netflix, Os Casos de Harry Hole não acaba quando termina. A série norueguesa tem uma cena pós-créditos, exibida depois da conclusão da primeira temporada, que traz revelações importantes sobre a trama, mais especificamente acerca do antagonista Tom Waaler (Joel Kinnaman).
Em Os Casos de Harry Hole, dois supostos colegas operam em lados opostos da lei. O personagem titular, vivido por Tobias Santelmann, tem embates com seu adversário de longa data, Tom Waaler, um policial corrupto.
Harry é um investigador de homicídios brilhante, mas atormentado por seus próprios demônios. Conforme esses dois personagens percorrem a linha tênue da ética do sistema penal, Harry precisa fazer tudo o que puder para pegar um serial killer e levar Waaler perante a justiça antes que seja tarde demais.
[Atenção: spoilers a seguir]
O final de Os Casos de Harry Hole revela um enredo de corrupção muito mais profundo do que parecia ao longo da temporada.
Após a morte de Tom, duas figuras mascaradas se reúnem em um encontro clandestino para discutir o futuro da organização à qual pertencem. O momento decisivo ocorre quando a líder remove o disfarce: trata-se de Agnes Sjølid (Agnes Kittelsen), superior hierárquica de Harry dentro do próprio departamento de polícia.
A revelação desmonta qualquer ilusão de integridade institucional. Tom não atuava sozinho; fazia parte de uma rede muito mais ampla infiltrada na estrutura encarregada de garantir a lei. Mesmo diante das perdas recentes, os integrantes do grupo optam pela cautela. A estratégia consiste em permanecer em silêncio até surgir a oportunidade ideal para retomar as atividades.
Explicação da cena pós-créditos
Depois dos créditos, a série acrescenta uma nova camada ao passado de Tom Waaler. Em busca de respostas, Harry viaja até o bairro da cidade de Strömstad (Suécia) onde o antigo colega cresceu. Ali conversa com um comerciante chamado Solo, citado por Waaler como seu melhor amigo de infância.
O relato, porém, desmonta essa versão. Segundo o lojista, jamais existiu amizade entre os dois. A lembrança guardada descreve um garoto isolado, criado em ambiente familiar conturbado e submetido a um pai violento, desempregado e que bebia muito. A conversa também resgata um episódio obscuro ocorrido anos antes: a morte suspeita do pai de Waaler.
“Uma coisa é cair bêbado, mas… em cima da faca que tava segurando?”, diz Solo para o detetive.
As lembranças do comerciante sugerem um cenário inquietante. O homem recorda um jovem estranho e problemático e menciona o mistério nunca esclarecido em torno do falecimento do pai agressor. A insinuação paira no ar: talvez o próprio Waaler tenha provocado aquela morte.
Então, as ações de Tom Waaler, como ter prazer em matar e bolar planos assassinos meticulosos, vêm de muito antes de sua entrada na polícia. O passado violento pode tê-lo moldado para a carreira corrupta que acabou nutrindo. A maldade dele tem uma origem, mas o fim da jornada de Tom não significa que os problemas para Harry acabaram, pois a tal organização secreta segue ativa. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



