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Harry Hole: é verdade que na Noruega a polícia não anda armada?

Drama norueguês, Os Casos de Harry Hole retrata algo impensável no Brasil
REPRODUÇÃO/NETFLIX
Tobias Santelmann em Os Casos de Harry Hole

A ótima série norueguesa Os Casos de Harry Hole (Netflix) retrata um cenário de difícil compreensão, principalmente para os brasileiros. Logo no primeiro episódio, é abordada a questão sobre se policiais do país devem ou não andar armados… Como assim?! Realmente a polícia da Noruega não usa armas de fogo?

A resposta mais simples e direta: hoje, isso não é verdade. Porém, até 2025 a história era outra, o que deixa a coisa mais complexa.

O Diário de Séries traz um raio-x dessa problemática para ajudar o espectador a entender essa particularidade inimaginável no Brasil, onde atualmente se discute a possibilidade de até guardas municipais carregarem armas.

A polícia da Noruega

Nos primeiros instantes da abertura de Os Casos de Harry Hole, um locutor de rádio divulga uma notícia: “Cada vez mais pessoas estão exigindo que a polícia ande armada, já que, atualmente, Oslo tem mais armas ilegais do que nunca…”. Mais adiante no capítulo, uma moça confronta o detetive Harry Hole (Tobias Santelmann) ao vê-lo com uma pistola: “A polícia não pode andar armada.”

Durante muito tempo, a corporação norueguesa patrulhou as ruas sem armas. Contudo, isso mudou em 2025: uma nova lei aprovada pelo Parlamento permitiu que policiais passem a portar armas de fogo de forma rotineira durante o serviço.

Antes disso, em condições específicas, qualquer revólver ou pistola de um agente da lei ficava dentro da viatura, em compartimentos trancados. Só podiam ser retiradas com autorização ou em situações extremas.

Essa ordem fazia da Noruega um dos poucos países do mundo com policiamento cotidiano desarmado, algo também visto em lugares como Islândia e Nova Zelândia.

Em 12 de junho de 2025, o Parlamento norueguês (Stortinget) aprovou uma mudança na legislação de segurança nacional, proposta vinda do governo. A medida alterou a Lei da Polícia (Police Act) para permitir o chamado “armamento geral” da polícia durante os trabalhos de rotina, em vigor desde 1º de julho daquele ano.

Mesmo assim, as autoridades do país afirmam que a arma continua sendo o último recurso em intervenções.

Tal alteração aconteceu por causa do aumento da percepção de ameaça terrorista e segurança internacional, necessidade de respostas mais rápidas a ataques graves e pressão de sindicatos policiais, que defendiam a medida há anos.

Na opinião pública, não há consenso sobre essa determinação:

  • Parte da sociedade e muitos especialistas temem que as armas reduzam a tradição de policiamento baseado em confiança;
  • Outros defendem que o mundo se tornou mais perigoso e que os policiais precisam estar preparados para ações violentas inesperadas.

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