CRÍTICA

Entenda o fenômeno Yellowstone, série que une progresso e conservadorismo

Drama fincado na zona rural e adepto da filosofia country estreia na Netflix
DIVULGAÇÃO/PARAMOUNT
Kevin Costner (à esq.) com Luke Grimes em Yellowstone
Kevin Costner (à esq.) com Luke Grimes em Yellowstone

A Netflix lança, na segunda-feira (15), as três primeiras temporadas de Yellowstone em seu catálogo, aquisição surpreendente pois trata-se de uma produção original do rival Paramount+. A série de filosofia country simplesmente é sucesso mundial e a mais vista em toda a TV americana. Afinal, como entender esse faroeste moderno vigoroso, fenômeno que mistura progresso com o conservadorismo em meio à zona rural?

Lançada em 2018, Yellowstone segue os passos de integrantes da família Dutton, cujo patriarca é o sisudo e turrão John (Kevin Costner). O clã é proprietário do maior rancho do Estado de Montana, no interior dos Estados Unidos, batizado de Yellowstone Dutton Ranch, comumente chamado de Yellowstone. A trama gira em torno do drama familiar naquele local e na fronteira com a Reserva Indígena Broken Rock, o Parque Nacional de Yellowstone e empreiteiros de olho em terras para explorar o campo.

Sim, a divisão política e ideológica presente na sociedade contemporânea afeta Yellowstone. Existe um debate sobre o que a narrativa ali contada representa. Definir um status em pedra não dá, pois a trama mistura fortes elementos progressistas dentro de um ambiente conservador. É um nó proposital e, francamente, bem-vindo.

Isso porque a série, além de entreter por apresentar boas histórias e encantar com uma ótima produção visual, provoca reflexões válidas. Tem-se ali o que pode ser chamado de o último reduto conservador. É a masculinidade sendo defendida a unhas e dentes (literalmente), homens que são durões e não dão o braço a torcer para a modernidade, (muitas) armas e brigas de soco… E relatos da vida de caubói real, não daqueles de clipe de música sertaneja.

Ao mesmo tempo, porém, Yellowstone é progressista no sentido mais puro da expressão. Como poucas séries da história da TV, ela abre espaço para uma narrativa genuína sobre a população indígena nos EUA, a colocando no centro dos acontecimentos e revelando o ponto de vista deles acerca dos mais diversos tópicos, de preservação de território a rituais sagrados, passando pelo protagonismo feminino.

As mulheres, inclusive, estão sob os holofotes no drama rural. Elas são retratadas como independentes, fortes e empoderadas, buscando alcançar os próprios sonhos, seja na vida pessoal, amorosa ou profissional.

Kelly Reilly no drama faroeste Yellowstone
Kelly Reilly no drama faroeste Yellowstone

Para um lado entender o outro

Yellowstone tem uma identidade particularmente intrigante. A série é, sem se contradizer, anticapitalista e conservadora. Enquanto o protagonista John Dutton (Kevin Costner) luta sem cessar pela preservação do seu rancho gigantesco, ele impede o progresso econômico da região.

John, com todas as suas forças, combate o modernismo, expulsando quem vem de fora. Tais forças, segundo ele, desejam alterar o estilo de vida local, mais pacato e simples. Ele batalha para manter o status quo da região, defendendo o campo contra grandes empreiteiras que, em prol do lucro, querem cimentar áreas verdes.

O interessante da série é que o público que sintoniza para ver essa vertente tradicionalista irá se deparar com um progressismo forte; e vice-versa. Isso é bom para, quem sabe, um lado possa civilizadamente entender o ponto de vista do outro.

Harrison Ford beija Helen Mirren na série 1923
Harrison Ford beija Helen Mirren na série 1923

Série virou franquia

Como é praxe na TV americana, Yellowstone virou franquia após alcançar tanto sucesso, gerando várias séries derivadas. Ao todo, são cinco spin-offs, dois já lançados (1883, 1923) e três em desenvolvimento (6666, 1944 e 2024). 

Os prelúdios carregam no título o ano em que cada atração se passa: 1883, 1923. A proposta é revelar como foram as vidas dos antepassados de John Dutton. Ambas as séries estão disponíveis exclusivamente no Paramount+. Porém, não são necessárias para entender Yellowstone; é possível assisti-la sem precisar saber o que acontece nos spin-offs.

Durante duas temporadas seguidas, 2021-2022 e 2022-2023, Yellowstone foi a série mais vista de toda a TV americana; importante: mesmo sendo uma atração de um canal pago (Paramount Network). 

Essas performances fenomenais levam a concorrência a buscar uma “nova Yellowstone”, apostando em tramas parecidas ambientadas na zona rural, com caubóis e a cultura country na raiz.

Foi decidido que Yellowstone vai acabar na atual quinta temporada. Ainda falta gravar a parte final.


Siga o Diário de Séries no WhatsApp

Acompanhe o Diário de Séries no Google Notícias

Siga nas redes

Fale conosco

Compartilhe sugestões de pauta, faça críticas e elogios, aponte erros… Enfim, sinta-se à vontade e fale diretamente com a redação do Diário de Séries. Mande um e-mail para:
contato@diariodeseries.com.br
magnifiercross
error: Conteúdo protegido!