
Nova comédia dramática da Netflix, Vladimir estreia nesta quinta-feira (5) narrando uma história de desejo e obsessão sexual. A minissérie é baseada no livro homônimo de Julia May Jonas, que assina o roteiro de quatro dos oito episódios. No elenco principal estão Rachel Weisz (Gêmeas), Leo Woodall (Um Dia, The White Lotus) e John Slattery (The Rainmaker).
Ao ver sua vida virar de cabeça para baixo, uma professora veterana (protagonista sem nome vivida por Rachel) fica perigosamente deslumbrada por um novo colega de trabalho, chamado Vladimir (Woodall). Nesse contexto, sedução e fixação se misturam em uma narrativa repleta de vontades proibidas, humor ácido e personagens carismáticos e imprevisíveis. À medida que os limites se confundem e os segredos ameaçam vir à tona, ela arriscará tudo para realizar suas fantasias mais escandalosas.
A tal professora enfrenta uma crise íntima em meio a uma rotina aparentemente estável. Docente de uma pequena faculdade de artes liberais onde leciona há décadas, ela também é esposa e mãe.
Vladimir também é escritor e professor. Ele encarna o fascínio que passa a dominar a protagonista, enquanto o marido dela, John (papel de John Slattery), lida com o próprio impasse, tanto no casamento quanto na carreira. Assim, o enredo articula um triângulo marcado por frustrações acumuladas e desejos mal resolvidos.
O título da produção não é fortuito. Batizada com o nome do personagem responsável por despertar a paixão da narradora, a minissérie propõe uma inversão deliberada de perspectiva.
A criadora, roteirista e produtora executiva Julia May Jonas afirmou, em entrevista à Netflix, que essa escolha dialoga com a tradição literária de obras intituladas com o nome das jovens mulheres idealizadas por protagonistas masculinos.
Um dos recursos mais marcantes da atração é a quebra da quarta parede. Ao falar diretamente com a câmera, a personagem de Rachel transporta para a tela o fluxo interior, algo na literatura restrito às páginas. Segundo a autora, essa estratégia permitiu externalizar pensamentos e fantasias definidoras da experiência subjetiva da narradora.
Quando se dirige ao público, a protagonista solta o verbo e, simultaneamente, fala sobre o que gostaria que acreditássemos. A versão apresentada nem sempre coincide com a verdade integral; trata-se de um relato moldado conforme a conveniência, cujo traço a aproxima de qualquer indivíduo tentando manter o controle quando tudo parece escapar das mãos.
Em Vladimir, a anti-heroína é, acima de tudo, humana. Nessa humanidade contraditória, a minissérie encontra sua pulsação dramática. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



