
Considerado por muitos o melhor drama já feito pelo Prime Video, a série O Homem do Castelo Alto (2015-2019) agora está disponível na Netflix. Dessa forma, muito mais pessoas vão ter a oportunidade de acompanhar uma narrativa bastante interessante e sofisticada sobre uma versão alternativa da história, baseada em uma pergunta nada simples: e se os Estados Unidos tivessem perdido a Segunda Guerra Mundial?
Para facilitar a vida do espectador, o Diário de Séries apresenta um guia detalhado sobre a narrativa que imagina o planeta sob o domínio de regimes autoritários. É um cenário no qual Adolf Hitler e o Império do Japão comandam a ordem internacional.
O Homem do Castelo Alto explicado
A trama se desenrola a partir 1962, dentro de uma linha temporal alternativa iniciada décadas antes. Em 1933, o imigrante italiano Giuseppe Zangara mata o então presidente eleito dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, crime que desencadeou uma cadeia de acontecimentos decisivos.
Entre esses desdobramentos surge o ataque nuclear alemão contra Washington, capital dos Estados Unidos, no final de 1945, devastação que transforma a cidade em uma área contaminada. Na sequência, tropas japonesas avançam pela costa oeste do país. O governo federal americano se rende, embora o processo de pacificação do território, conduzido por ocupantes estrangeiros e colaboradores locais, se estenda durante mais um ano.
A vitória do Eixo redesenha o mapa global. Em 1962, o Reich alemão domina a Europa e a África, enquanto o Japão controla grande parte da Ásia e da Oceania. Mesmo com esse alcance planetário, a série concentra sua atenção sobretudo no antigo espaço geográfico dos Estados Unidos e na própria Alemanha.
A ditadura nazista mantém Hitler no comando, ao passo que o imperador japonês exerce autoridade sobre vastas regiões do planeta. Curiosamente, a Itália fascista, parte do Eixo real sob liderança de Benito Mussolini, permanece praticamente ausente desse universo ficcional, surgindo apenas como imagem ocasional em cinejornais misteriosos.
O território dos EUA aparece dividido em três partes:
- A costa oeste transformou-se nos chamados Estados do Pacífico, área submetida ao Japão da era Shōwa. A administração imperial impõe uma rígida hierarquia social, na qual cidadãos japoneses ocupam o topo e habitantes de outras origens recebem tratamento subordinado, com poucos direitos e quase nenhuma perspectiva de ascensão. Apesar dessa estrutura desigual, integrantes da elite japonesa demonstram curiosidade pela cultura americana anterior à guerra. A capital administrativa desse domínio situa-se em San Francisco, na Califórnia, onde ministros ligados ao comércio e à ciência conduzem os assuntos do império. Nessa região também atua a Yakuza, organização criminosa com grande influência local e tolerada, em certa medida, pela polícia militar japonesa.
- Já o leste e o meio-oeste dos Estados Unidos formam uma colônia controlada pelo Grande Reich Nazista. Esse pedaço, frequentemente chamado de “América Nazista”, possui administração própria e sede em Nova York, cidade preservada em grande parte durante a guerra. Sob a autoridade de um marechal do Reich encarregado do continente, o regime prossegue com políticas de perseguição e extermínio dirigidas a minorias e pessoas consideradas fisicamente ou mentalmente incapazes. Esse cenário também exibe avanços tecnológicos imaginados a partir das possibilidades dos anos 1960, incluindo videofones, sistemas permanentes de vigilância por câmeras e aviões supersônicos de uso civil.
- Entre as duas zonas dominadas por impérios rivais surge uma extensa faixa montanhosa transformada em território neutro. A área, localizada nas Montanhas Rochosas, funciona como zona-tampão diante da tensão semelhante à Guerra Fria existente entre Japão e Alemanha. Sem governo estruturado, economia sólida ou forças armadas relevantes, a região vive praticamente abandonada à própria sorte. Grupos de resistência encontram ali refúgio, enquanto agentes secretos enviados por Tóquio e Berlim circulam ocasionalmente pelo local, atentos aos movimentos do adversário.
Outro elemento central da história envolve um conjunto enigmático de filmes reunidos por um personagem conhecido como Homem do Castelo Alto. Essas gravações exibem realidades paralelas distintas, algumas nas quais os Aliados triunfaram, outras retratando líderes executados, entre os quais Winston Churchill e Joseph Stalin, ou mesmo linhas temporais em que a resistência americana ganha força. As imagens sugerem a existência de múltiplas versões da história, ampliando o alcance da trama para além de um único mundo possível. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



