
Aposta da Max, o drama médico The Pitt é um sucesso absoluto, tanto de crítica quanto de público. Um fator que tornou a série tão popular é lançar episódios semanais, um a cada quinta-feira, sempre às 22h (faltam dois capítulos para o término da primeira temporada). É o modelo oposto ao consagrado pela Netflix, de soltar uma temporada inteira no dia da estreia de determinada atração.
Casey Bloys, presidente e diretor-executivo (CEO) de conteúdo da HBO e Max, deixou claro que o desempenho de The Pitt é resultado dos lançamentos semanais. A combinação da propaganda boca a boca, engajamento constante nas redes sociais e ciclo de notícias durante mais de três meses traz novos espectadores para o drama médico, provando que essa tática funciona (viu, Netflix?).
O máximo que a gigante do streaming testou foram os chamados lançamentos mensais: temporada dividida em duas, com a segunda parte entrando no catálogo cerca de 30 dias depois da estreia da parte 1. Isso foi feito com a quarta temporada de Você, por exemplo, em 2023, que culminou no aumento da demanda para além das três semanas, período que uma série da Netflix normalmente “dura” como assunto da vez.
Entretanto, a Netflix abdicou dessa estratégia, voltando ao bingewatching com a quinta e última temporada de Você, que entra completa na plataforma no próximo dia 24.
The Pitt é notícia desde janeiro, quando o primeiro episódio entrou na Max. Os produtores da série, rotulada como “o drama médico mais autêntico” dos últimos tempos, queriam fazer 12 episódios em tempo real, simulando um plantão médico verídico de 12 horas. Foi Bloys quem pediu três a mais, “porque aí são 15 semanas de engajamento”, comentou o executivo, em entrevista ao site Vulture.
A cota ficou acima do que tem sido o padrão das atrações atuais dos streamings (oito ou dez episódios por temporada) e menos do que fazem as emissoras de TV aberta americana (18 ou +20).
É uma atração relativamente barata de ser feita, no contexto atual, com cada episódio saindo por US$ 5 milhões. Como tem uma estrutura simples, estilo procedural, dá para fazer vários episódios por ano e ter um intervalo pequeno entre novas temporadas; a segunda, já confirmada, deve estrear em janeiro de 2026.
Bloys ressaltou que sua plataforma não pode sobreviver apenas de séries grandiosas do naipe de A Casa do Dragão, The Last of Us e The White Lotus. São produções caras e complexas, demandando muito tempo para entregar poucos capítulos, o que significa ter poucas semanas de engajamento.
“O que eu amo sobre The Pitt é que posso ter 15 episódios em um ano. Isso é realmente uma ótima adição ao que já estamos fazendo na plataforma”, disse o executivo, acrescentando uma informação importante: “E eu gostaria de fazer mais séries neste modelo.”
Ele fala da fórmula procedural, aquela cuja narrativa começa e termina no mesmo episódio, solucionando um mistério (pode ser um caso criminal ou médico). De fato, a tendência dos próximos anos é ver plataformas apostando nisso cada vez mais.
O presidente foi direto ao explicar a razão por trás desse movimento:
“É preciso ter um catálogo [no streaming] diverso. Sim, séries de grande porte da HBO são ótimas [para a Max], todas trazem novos assinantes. Mas não podemos ser só The Last of Us e A Casa do Dragão: dois anos para lançar uma nova temporada; seis ou sete semanas de engajamento. Eu tenho de preencher 52 semanas de programação. Preciso fazer com que o engajamento na plataforma fique quente durante todo o ano”.
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João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br