
Ironizando todo tipo de herói que já existiu, a série The Boys não tem rabo preso com ninguém pelo fato de ser independente. Ou seja, não faz parte da estrutura dos dois principais universos de heróis do mercado: não é da DC Comics nem da Marvel. Contudo, a origem da história nos quadrinhos é um pouco diferente.
A produção do Prime Video, que chegou a concorrer ao Emmy de melhor drama, tem como base a HQ homônima criada por Garth Ennis e Darick Robertson, cuja primeira edição foi publicada em 2008. Na função de roteirista da narrativa, Ennis criou um enredo ambientado dentro do contexto ficcional da DC, adotando um viés crítico e sombrio.
Nesse cenário, o grupo formado por Billy Bruto, Hughie e companhia atuaria como uma força de contenção para os maiores ícones da editora, incluindo Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman e Flash.
A HQ começou sob o selo Wildstorm Productions, braço editorial da própria DC. Entretanto, a parceria durou pouco. Após a sexta edição, o título foi cancelado e os direitos retornaram aos criadores. A decisão abriu caminho para a continuidade do projeto fora do guarda-chuva da gigante, agora pela Dynamite Entertainment, editora independente de menor alcance.
O rompimento não ocorreu por acaso. Ao lado da equipe editorial da DC, Ennis e Robertson chegaram à conclusão de que seria inviável desenvolver a história nos moldes pretendidos sob um cânone consolidado. As limitações criativas impediriam a abordagem radical imaginada para a obra.
A mudança acabou beneficiando The Boys. A partir desse reboot, a história teve liberdade para usar e abusar do seu tom ácido e da violência explícita. E pôde se inspirar em personagens e adaptações cinematográficas da DC e da Marvel sem prestar contas, imprimindo sua característica sátira mordaz.
O showrunner Eric Kripke, responsável pela adaptação da HQ The Boys para a TV, falou sobre como a raiz da série está mais fincada na DC do que na rival Marvel. “Pelo trabalho de Garth e do artista Darick Robertson, acho que, mesmo naquela época [dos primeiros passos dos quadrinhos], eles estavam mais interessados em cutucar a DC do que a Marvel”, disse Kripke, em entrevista ao site Entertainment Weekly. “Até então, os personagens da DC eram vistos quase como deuses, enquanto os heróis da Marvel sempre foram retratados como pessoas comuns.”
Considerando tudo isso, Kripke criou uma regra para a série do Prime Video: “A única ordem realmente rígida de The Boys é que não se pode fazer referência direta/nominal à Marvel ou à DC”. Fora isso, predomina a independência criativa.
Assim, os personagens do universo The Boys funcionam como paródias de heróis da DC e da Marvel, alguns de forma mais explícita outros com mais sutileza. Confira alguns:
- Capitão Pátria
DC: Superman
Marvel: Capitão América - Profundo
DC: Aquaman
Marvel: Namor - Maeve
DC: Mulher-Maravilha - Black Noir
DC: Batman - Luz-Estrela
DC: Stargirl
Marvel: Estrela do Norte e Aurora - Trem-Bala
DC: Flash
Marvel: Mercúrio - Os Sete
DC: Liga da Justiça - Kimiko
Marvel: Wolverine - Soldier Boy
Marvel: Capitão América - Tek Knight
DC: Batman - Condessa Carmesim
Marvel: Feiticeira Escarlate - Tempesta
DC: Shazam
Marvel: Tempestade - Translúcido
DC: Caçador de Marte
Marvel: Emma Frost - Arqueiro Águia
DC: Arqueiro Verde
Marvel: Gavião Arqueiro - Andre Anderson
Marvel: Magneto - Golden Boy
Marvel: Tocha Humana - Sam Riordan
DC: Superboy
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João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



