ANÁLISE

Teimosa, Netflix insiste em modelo maratona e anda na contramão do mercado

Gigante do streaming mantém-se fiel (pelo menos por enquanto) ao modo que a consagrou
DIVULGAÇÃO/NETFLIX
Zoe Saldaña com Keith David na minissérie Recomeço
Zoe Saldaña com Keith David na minissérie Recomeço

Parece o contrário, mas a estratégia padrão de lançamento de séries no mundo dos streamings não é o modo maratona, de soltar todos os episódios de temporada ou minissérie de uma só vez. Apenas a Netflix insiste 100% nisso, andando na contramão do mercado. Em carta pública direcionada aos acionistas, a empresa reforçou que não abrirá mão desse modelo. Enquanto isso, a concorrência aposta em outras táticas, algumas mais eficientes.

No mês passado, passou a circular uma notícia nos bastidores de Hollywood sobre a Netflix mudar de rumo e lançar (pelo menos algumas) séries semanalmente. A companhia esperou a divulgação do balanço financeiro do terceiro trimestre deste ano para dar um resposta.

Foi feita uma defesa bem assertiva em defesa do modo maratona. Argumentos válidos entraram na discussão. “Achamos que nosso modelo de lançamento compulsivo ajuda a gerar um tipo de engajamento bastante substancial, especialmente para títulos recém-lançados”, disse a Netflix.

“É difícil imaginar, por exemplo, como o k-drama Round 6 teria se tornado um mega hit no mundo todo sem o impulso que veio por causa da maratona”, continuou. “Acreditamos que a possibilidade de nossos assinantes mergulharem em uma história do início ao fim aumenta a probabilidade de falarem sobre a série a seus amigos, o que significa que mais pessoas vão assistir, participar e ficar com a Netflix.”

São pontos justos. Mas um argumento usado pela empresa na carta pode ser visto como o ponto fraco desse modelo. Um gráfico mostrou o aumento estrondoso de buscas no Google sobre a minissérie Dahmer: Um Canibal Americano, em comparação com duas séries da concorrência exibidas ao mesmo tempo: A Casa do Dragão (HBO/HBO Max) e Os Anéis de Poder (Prime Video).

Isso realmente ocorre. Mas o pico vem tão rápido quanto o vale. Por mais que uma série da Netflix iguale o sucesso fenomenal de Dahmer, não dura mais do que um mês. Enquanto as outras duas atrações citadas ficaram no ar durante dois meses, sempre gerando engajamento e assunto na internet e mídia.

Outras estratégias

Todas as principais rivais da Netflix fazem diferente da gigante do streaming. Sim, algumas lançam temporada ou minissérie de uma só vez, entretanto não é esse o padrão. É somente uma das opções. 

O Prime Video é um bom exemplo de adaptação, dependendo da série. Lançar Reacher tudo de uma vez foi um acerto. A primeira temporada chegou completa em uma sexta (4 de fevereiro deste ano) e três dias depois já foi renovada, devido ao sucesso instantâneo.

Enquanto isso, Os Anéis de Poder, maior aposta da história do streaming da Amazon, veio com episódios semanais. Teve o caso de The Marvelous Mrs. Maisel, cuja quarta temporada teve dois episódios soltos a cada semana.

A HBO Max vai fazer o mesmo com a segunda temporada de A Vida Sexual das Universitárias, com dois episódios novos por semana.

O streaming da Warner gosta de fazer como o Apple TV+. Geralmente, uma série chega com os dois ou três primeiros episódios no dia da estreia; depois é um por semana. O Prime Video lançou o novo drama futurista, Periféricos, desse jeito.

Percebe-se que episódios semanais, tal qual na TV convencional, é o padrão dos streamings. Esse caminho deixa uma atração mais tempo em evidência e coloca os espectadores em condições de igualdade, com a maioria em dia com a trama e podendo discutir os próximos acontecimentos.

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