
Hollywood não é indiferente ao movimento a favor da sustentabilidade ambiental que toma conta de todo tipo de setor da economia global. Entre tantos bons exemplos está a Netflix, que desde 2023 aplica em todas as suas produções roteirizadas (filmes e séries) algum tipo de ação em prol do meio ambiente, de soluções variadas no quesito energia limpa a veículos elétricos.
O plano combina inovação tecnológica e metas ambientais ambiciosas, como o uso de unidades movidas a hidrogênio, sistemas solares e microrredes renováveis em diferentes sets ao redor do mundo.
Em Bridgerton, foram usadas unidades de energia a hidrogênio. Nos bastidores de Virgin River, veículos elétricos fizeram todo tipo de transporte. Em Stranger Things, baterias solares ganharam espaço. E no drama faroeste Ransom Canyon, foi a vez das microrredes de energia renovável.
“Não basta estalar os dedos para fazer tudo isso acontecer”, afirmou Emma Stewart, que ingressou na Netflix como a primeira diretora de sustentabilidade da empresa, em 2020, ao comentar as metas de redução de emissões. “Estamos trabalhando nisso gradualmente há vários anos.”
A Netflix atua em quatro frentes para reduzir suas emissões de poluentes:
- Identificar melhorias de eficiência energética em escritórios e estúdios;
- Fazer a transição para veículos elétricos;
- Adotar fontes móveis de energia limpa (como alternativas aos geradores a diesel);
- E utilizar eletricidade e combustíveis renováveis.
Confira abaixo exemplos detalhados do que foi feito em produções recentes da gigante do streaming seguindo a cartilha ambiental verde:
A Diplomata
A série política estrelada por Keri Russell e indicada ao Emmy de melhor drama (2025) tornou-se a primeira produção da Netflix a adotar, durante três temporadas consecutivas, unidades de energia à base de hidrogênio. Utilizada em locações rurais no Reino Unido, a tecnologia substituiu múltiplos geradores a diesel, eliminando emissões diretas: o processo gera apenas calor e água potável como subprodutos.
One Piece
A aposta em fontes renováveis também marcou a versão live-action de One Piece. A equipe da série recorreu à energia solar para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, desenvolvendo na África do Sul um sistema híbrido inédito, composto por painéis solares e baterias capazes de abastecer integralmente todo o set. O desempenho do modelo, silencioso, estável e livre de poluentes, levou à ampliação de seu uso.
The Witcher
Segundo a própria Netflix, a quinta e última temporada de The Witcher é sua produção mais sustentável de todos os tempos, com redução de quase 90% no uso de combustível no Reino Unido, representando uma economia de mais de 492 mil litros. Teve uso de energia 100% renovável, além de estações de recarga ultrarrápida para veículos elétricos. Além disso, foram utilizados geradores movidos a hidrogênio e baterias.
Peaky Blinders: O Homem Imortal
Já o filme Peaky Blinders: O Homem Imortal, derivado da consagrada saga televisiva, alcançou uma redução de quase 40% no consumo de combustível para geradores. O resultado decorreu da combinação entre unidades de hidrogênio instaladas em trailers e sistemas híbridos de bateria, empregados ao longo de 24 dias em múltiplas locações.
Apex
O suspense Apex, filme protagonizado por Charlize Theron e Taron Edgerton, inaugurou na Austrália o uso desse tipo de unidade energética. A estrutura abasteceu todo o acampamento de produção, permitindo cortar mais da metade do uso de diesel.
Nemesis
O drama criminal, com lançamento marcado para 14 de maio, recorreu a baterias móveis de grande porte, responsáveis sozinhas pela iluminação do set em diversos dias de filmagem. O pacote incluiu ainda trailers solares e veículos elétricos, entre eles caminhões Shorty 40 e vans de transporte de elenco, resultando em uma redução de 40% na demanda por combustível fóssil.
The Boroughs
Na série de aventura e mistério produzida pelos irmãos Duffer, a estratégia foi levada ainda mais longe. Gravada no Novo México (EUA), a produção utilizou baterias móveis, sistemas solares e infraestrutura híbrida para abastecer o set, diminuindo em mais de 75% a dependência de geradores a diesel, o equivalente a cerca de 49 mil litros não consumidos. O projeto também marcou a estreia dos caminhões elétricos Shorty 40, desenvolvidos especificamente para o setor audiovisual, além da adoção de veículos híbridos. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



