
Nova aposta da HBO no universo dos super-heróis da DC, a série Lanternas é cercada de grande expectativa. Por essas e outras, bastou o lançamento do trailer oficial, com dois minutos de imagens, para desencadear uma avalanche de críticas negativas, vindas de fãs do Lanterna Verde e de profissionais que trabalharam nos quadrinhos do herói.
O trailer tem mais de 2,5 milhões de visualizações (no YouTube, em inglês). Lá, os comentários ácidos rolam soltos detonando a produção, que tem o aclamado showrunner Damon Lindelof (The Leftovers, Watchmen), entre os criadores e conta com o protagonismo de Kyle Chandler e Aaron Pierre.
Os dois pontos principais da cornetagem são:
- Parece ser um drama policial, tipo True Detective, sem qualquer traço fantasioso retirado das HQs do Lanterna Verde (talvez por isso o título seja apenas Lanternas).
- E que justamente a característica número 1 do personagem não é destacada. A cor verde simplesmente não está presente nas primeiras imagens; até a grama é meio amarelada…
Uma avaliação com propriedade, que sintetiza os sentimentos dos fãs, saiu no último domingo (15), publicada pelo quadrinista Grant Morrison no site Substack; ele escreveu histórias do Lanterna Verde, de 2018 a 2021, em quadrinhos elogiados pelos leitores.
Ele apontou para um comentário de Lindelof que, durante entrevista em um podcast, disse que o “verde” é estúpido, sendo essa sua justificativa para rotular a série de Lanternas, apenas. “Por que um roteirista se envolve com esse tipo de narrativa se acha que ela é fundamentalmente ‘estúpida’?”, questionou Morrison.
“Você não entrega roteiros de CSI a autores condescendentes que tratam especialistas em perícia e seus cortes de cabelo como ‘estúpidos’, então por que contratar pessoas que se sentem constrangidas e em negação em relação ao material dos quadrinhos que foram designadas a desenvolver?”
O quadrinista argumentou que tal postura do showrunner, concretizada no trailer de Lanternas, é perigosa: “As únicas pessoas que realmente se importam com essa série são os fãs do Lanterna Verde. Por que afastá-los logo de início? Isso, sim, parece ser algo estúpido.”
“O quanto esse tipo de produção poderia ser melhor se os estúdios estivessem dispostos a contratar as pessoas certas para o trabalho, em vez de ligar para amigos constrangidos para diluir a obra original?”, perguntou Morrison.
Esse caso ilustra um fenômeno recorrente no entretenimento contemporâneo. Comunidades de fãs tendem a reagir de forma intensa a qualquer sinal de ruptura com o material original.
Lanternas adota uma abordagem deliberadamente realista para adaptar um dos conceitos mais extravagantes das HQs: uma força policial intergaláctica equipada com anéis capazes de materializar energia.
Segundo James Gunn, copresidente da DC Studios, a intenção sempre foi aproximar a história do cotidiano. Em declarações anteriores, o executivo descreveu o projeto como uma produção “pé no chão”, dedicada a inserir um enredo repleto de elementos fantásticos em um cenário o mais plausível possível.
A narrativa acompanha dois integrantes da Tropa dos Lanternas Verdes. O ator Kyle Chandler interpreta Hal Jordan, antigo piloto de testes da Força Aérea americana transformado em herói galáctico, enquanto Aaron Pierre vive John Stewart, novato sob sua tutela. Juntos, eles investigam um assassinato ocorrido no estado de Nebraska, caso aparentemente banal, mas ligado a mistérios muito mais sombrios. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



