SAGA MILITAR

Rejeitada pela HBO, Mestres do Ar demorou 10 anos para ficar pronta

Com cofre cheio, a Apple topou bancar o projeto sobre a 2ª Guerra Mundial
DIVULGAÇÃO/APPLE TV+
Callum Turner em Mestres do Ar
Callum Turner em Mestres do Ar

A ordem natural das coisas colocaria Mestres do Ar na HBO, não no Apple TV+. Isso porque a minissérie faz parte da saga militar que Tom Hanks e Steven Spielberg produziram para o canal premium, coleção formada por outras duas atrações: Irmãos de Guerra (2001) e O Pacífico (2010. A dupla até bateu na porta da HBO e vendeu o projeto de Mestres do Ar, mas a rejeição veio por causa do custo altíssimo de produção.

O preço da minissérie é um dos fatores que a fizeram demorar sair do papel. A trama, que acompanha combatentes americanos da Força Aérea durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), estreou no streaming da maçã na semana passada. Os primeiros passos do projeto foram dados há dez anos.

Um pouco depois de O Pacífico, Tom Hanks ligou para John Orloff, roteirista de Irmãos de Guerra, e perguntou se ele gostaria de fazer mais uma série militar, desta vez como desenvolvedor/criador, liderando o projeto. A questão foi simples, mas a tarefa árdua. A escolha de adaptação foi o livro Mestres do Ar, de Donald L. Miller, que simplesmente tem quase mil páginas (966, publicado no Brasil pela editora Bertrand).

Claro, era preciso ter um norte. E o sentido foi apontado por Hanks e Steven Spielberg. Foram eles que definiram o núcleo da trama: a amizade entre os majores John Egan (vivido por Callum Turner) e Gale Cleven (Austin Butler). A escolha foi pelo fato deles serem próximos apesar das personalidades distintas.

Austin Butler na minissérie Mestres do Ar
Austin Butler na minissérie Mestres do Ar

A partir desse alicerce, Orloff construiu Mestres do Ar. Daí, a equipe criativa percebeu que, para encenar as ações relatadas no livro com alto padrão de qualidade e veracidade, era preciso dinheiro. E tecnologia. Há dez anos, não existiam recursos disponíveis em estúdios de gravação como se vê hoje. As cenas de combate aéreo precisavam do melhor da inovação do audiovisual, e só o tempo entregou isso.

Quando tudo estava pronto, o time da minissérie foi visitar o seu habitat natural. Os engravatados da HBO até aceitaram conversar e assistir ao pitch (apresentação do projeto). Entretanto, o sinal vermelho acendeu quando perceberam o quão caro seria fazer Mestres do Ar, por isso disseram não. Estima-se que o orçamento da minissérie toda, composta de nove episódios, bateu na casa dos US$ 250 milhões (R$ 1,24 bilhão).

O Apple TV+ entrou na jogada, aceitando bancar o empreitada. Trata-se da primeira produção do streaming da maçã feita em casa mesmo, pelo Apple Studios. Parte da dinheirama arrecadada com as vendas dos celulares e computadores mais cobiçados do planeta entrou na conta da plataforma para pagar as contas da minissérie.

Fora a meticulosa reconstrução de época, Mestres do Ar precisou investir em um elenco gigantesco, com muitos figurantes. Se for feito um recorte apenas com os personagens que têm alguma fala ao longo dos episódios, são 300 atores

Acrescente-se nesse caldeirão o treinamento militar que muitos atores tiveram de fazer para interpretar seus respectivos personagens, recebendo conhecimento sobre como pilotar um avião de guerra e aprendendo todos os macetes da aeronáutica. Tem ainda o custo de construir réplicas das aeronaves usadas durante a guerra real.

Quem acompanha Mestres do Ar percebe, após um breve olhar, que tem muito dinheiro despejado ali. Críticas feitas em relação às batalhas aéreas são mais frutos de cri-cri do que algo condizente com os fatos. Não existem tantos filmes sobre forças aéreas e afins porque é um negócio complicado de ser feito (aqueles que ganharam a luz do dia focam mais nos personagens dentro de um cockpit usando máscaras e apertando botões).

É preciso dar o reconhecimento a esse casamento que deu certo -e foi firmado no tempo ideal. Mestres do Ar não poderia ser realizada mais barata, e a Apple surgiu para cobrir todos os custos necessários para colocar no ar aquilo que a equipe criativa da minissérie desejou. Até agora, somente após os dois primeiros episódios, percebe-se que é um trabalho muito bem executado.


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