
A quarta temporada de Bridgerton apresenta a personagem Sophie Baek (Yerin Ha), no centro do principal romance da atual leva de episódios. Ela faz parte de um arranjo familiar problemático no qual, mesmo sendo uma dama, é tratada como criada. Isso pelo fato de ter sido reconhecida pelo pai apenas como uma tutelada.
Qual o significado desse termo? Ele aparece no segundo episódio do atual ciclo quando o lorde Richard Gun (Arthur Lee), conde de Penwood, apresenta Sophie, então com sete anos, para a nova lady Penwood (Katie Leung), madrasta da garota: “Essa é Sophie Baek, minha tutelada”, ele diz.
No universo jurídico, tutelada é a pessoa que se encontra sob tutela, um regime de proteção legal no qual um terceiro, chamado tutor, é nomeado para representá-la, defendê-la e gerir seus interesses nos casos em que ela não possui capacidade plena para fazê-lo por si mesma.
Pegando pelo contexto brasileiro, essa figura é mais recorrente ao se tratar de menores de idade, indivíduos que ainda não atingiram os 18 anos e que, em razão de falecimento dos responsáveis legais, perda ou suspensão do poder familiar, necessitam de tutela para preservar seus direitos, bem-estar e patrimônio.
Legalmente, a tutela implica a transferência temporária de certas funções protetivas e decisórias a quem tem capacidade civil plena. O tutor atua, em nome do tutelado, em atos essenciais da vida civil — como administração de bens, decisões sobre educação, saúde e outras áreas em que o tutelado esteja vulnerável.
[Atenção: a seguir spoilers do livro Um Perfeito Cavalheiro, base da quarta temporada de Bridgerton]
Quem é o pai de Sophie Baek?
Ao encontrar uma criança deixada à porta de sua propriedade, lorde Penwood foi confrontado com uma situação que preferiria manter enterrada. Sophie Beckett, filha ilegítima fruto de um relacionamento extraconjugal, havia sido abandonada ali pela avó materna.
Movido por um senso inabalável de responsabilidade, ele permitiu que a menina permanecesse em Penwood Park. Ainda assim, ciente do impacto que aquela revelação poderia ter sobre sua imagem pública, optou por destruir a carta que acompanhava a criança poucos minutos depois de lê-la.
Sete anos mais tarde, a vida da menina tomou novo rumo com o casamento do lorde com Araminta Reiling, uma viúva que trouxe consigo duas filhas, Rosamund e Posy. Ao retornar à propriedade com a nova família, lorde Penwood apresentou Sophie como sua protegida (tutelada), numa tentativa deliberada de ocultar o histórico pessoal comprometedor.
A estratégia, no entanto, mostrou-se frágil. Araminta percebeu rapidamente a verdadeira origem da menina e exigiu que o marido a expulsasse da casa.
A reação do conde foi firme. Ele se recusou a abandonar Sophie, alegando que seu dever para com a jovem permanecia intacto. Essa decisão, porém, não impediu que o ambiente em Penwood Park se tornasse hostil. Araminta estimulou o desprezo das filhas em relação à garota, enquanto Rosamund passou a tratá-la com crueldade, sem que o chefe da família interferisse de maneira efetiva para conter os abusos.
Assim, sob o mesmo teto, conviviam a aparência de respeito às convenções sociais e uma rotina marcada por silêncio, omissão e ressentimentos, revelando o preço de escolhas feitas no passado e das verdades que insistiam em não permanecer ocultas. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



