
O que está por trás de uma produção grandiosa como As Leis de Lidia Poët? É natural para o telespectador pular de série em série sem perceber como dá trabalho fazer um drama tão rico em detalhes e ambientado no século 19. Hoje em dia, nem se veem os créditos de cada episódio, uma relação que ajuda a entender quantas pessoas trabalham longe dos holofotes nos mais diversos departamentos.
Convidando o público a um olhar necessário atrás das câmeras, a Netflix Itália divulgou números dos bastidores de As Leis de Lidia Poët, que entrou na gigante do streaming com a terceira e última temporada, na quarta-feira passada (15). Para se ter uma ideia, somando atores, profissionais de produção/criação, operários da equipe técnica e figurantes, mais de 3.300 pessoas foram contratadas para trabalhar na série.
A maioria das cenas foi gravada em locais reais, longe de estúdios. O drama jurídico italiano percorreu 110 locações pelo país da bota, com forte presença na região de Turim e do Piemonte, incluindo 18 espaços inéditos para a televisão, fator que reforçou o caráter autêntico da ambientação de época.
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O impacto logístico e econômico também se destacou. Em 48 semanas de gravação no total, artesãos produziram dezenas de figurinos históricos e joias sob medida, enquanto hotéis, fornecedores e prestadores de serviço sustentaram a operação de grande porte ao longo de 18 episódios (resultando em mais de 15 horas de duração).
Parte central da narrativa, a antiga prisão Le Nuove, em Turim, em funcionamento entre 1870 e o início dos anos 2000, serviu como cenário para interrogatórios dos protagonistas. Nas duas primeiras fases, as cenas ocorreram no museu instalado na propriedade; no desfecho, a equipe transferiu as filmagens para Roma, onde as celas foram recriadas com fidelidade no complexo Forte Bravetta.
Embora enraizada na cultura italiana, a série alcançou repercussão internacional expressiva. Desde a estreia, figurou entre as produções mais vistas da Netflix em mais de 50 países. As duas primeiras temporadas somaram mais de 40 milhões de visualizações ao redor do mundo.
O legado extrapolou o entretenimento. Após a exibição inicial, agências de turismo passaram a oferecer roteiros temáticos baseados na vida real de Lidia Poët, conduzindo visitantes a pontos históricos ligados à advogada.
A influência chegou até o esporte: a patinadora artística Lara Naki Gutmann adotou a trilha sonora da série em seu programa curto nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, realizados na Itália, contribuindo para a conquista da medalha de bronze por equipes, um sinal de como a narrativa encontrou ressonância em diferentes esferas. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



