
Os primeiros seis meses de 2026 foram cheios de emoções no mundo das séries. De drama consolidado que entregou uma temporada consciente (Bridgerton) a romance arrebatador (Off Campus), este ano entregou, até agora, uma ótima safra de produções.
Para marcar a metade de 2026, o Diário de Séries selecionou as dez melhores séries da temporada, considerando apenas atrações exibidas em território brasileiro de 1º de janeiro até 28 de junho. Confira:

Bridgerton
disponível na Netflix
A quarta temporada de Bridgerton alcançou seu melhor resultado, no quesito dramático, desde o ano inaugural. Isso graças, em grande parte, a uma abordagem amadurecida sobre consciência de classe em meio ao luxo. Em vez de focar só focar na alta sociedade, esteja ela em decadência ou não, os novos episódios abriram espaço para quem fica no andar de baixo das mansões.
Quando concentrou atenção nas diferenças sociais, o romance britânico de época encontrou seu terreno mais sólido, ao mesmo tempo em que conduziu com elegância o arco narrativo principal, retratando uma típica jornada de Cinderela.
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Emergência Radioativa
Netflix
Retratando uma história impactante, simplesmente sobre o maior desastre radiológico da história fora de uma usina nuclear, a série brasileira Emergência Radioativa conquistou o mundo, a ponto de ser a produção mais vista globalmente na Netflix, seja entre programas de língua inglesa ou não.
Combinando uma reconstrução de época detalhista (se passa no final dos anos 1980), o drama expõe os bastidores do acidente quando dois rapazes pegam uma fonte de máquina de radioterapia e, sem intenção, espalham Césio-137 radioativo para suas famílias e amigos. E mostra como o físico Walter Mendes Ferreira, encarnado no personagem Márcio (Johnny Massaro), foi um herói, por ter se esforçado além da conta para evitar uma tragédia maior.
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Madison
Paramount+
O visual estonteante de Madison é um capítulo à parte. Taylor Sheridan, criador da saga Yellowstone, queria fazer uma série mais profunda e contemplativa do que seus outros faroestes ou produções de ação. Ele conseguiu exatamente isso, deu muito certo.
Diferentemente de enredos movidos por reviravoltas narrativas novelescas, Madison aposta quase exclusivamente na construção de personagens. A direção privilegia pausas longas e silêncios carregados, convidando o espectador a acompanhar cada etapa do processo de luto, principal motor narrativo da série.
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Off Campus
Prime Video
Provando ser um paraíso das adaptações literárias, o Prime Video acertou mais uma vez com Off Campus (Amores Improváveis). Baseada na saga escrita por Elle Kennedy, a versão televisiva conseguiu imprimir a magia da história contada no papel, resultando em um drama romântico juvenil perfeito.
Embora Off Campus não apresente rupturas significativas dentro do gênero, a série encontra apelo na condução eficiente dos clichês tradicionais das comédias românticas e dramas da mesma seara. Em tempos marcados por crises sociais e políticas permanentes, além da sensação constante de desgaste coletivo, o tom despretensioso da atração transforma sua previsibilidade em parte do próprio encanto. É um idealismo com gente bonita que serve como escape.
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Os Testamentos
Disney+
O desfecho de The Handmaid’s Tale sugere o possível enfraquecimento do regime opressor de Gilead. Daí vem Os Testamentos e demonstra, rapidamente, o contrário. O spin-off apresenta a recuperação dos direitos das mulheres como um processo lento, marcado por retrocessos constantes.
Ainda assim, ao acompanhar adolescentes criadas sob as rígidas regras desse sistema, a produção encontra uma energia renovadora capaz de tornar sua narrativa especialmente envolvente. O destaque fica para as atuações de Chase Infiniti e Lucy Halliday, integrantes de uma nova geração de personagens capazes de dividir a cena em igualdade de condições com Ann Dowd e sua experiente Tia Lydia. Com uma segunda temporada já garantida, a série deixa claro haver muito mais por vir.
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Paradise
Disney+
Começou como uma drama político, entregou uma narrativa pós-apocalíptica e, no final da segunda temporada, Paradise mostrou que também é uma ficção científica. Essa mistura não é fácil de fazer, pois aumenta as chances de algo dar errado na busca por uma identidade. Mas a atração achou o tom certo nessa salada de gêneros.
Paradise mantém o público envolvido com os acontecimentos dentro e fora do bunker. Ao responder diversas questões sem abrir mão de novos mistérios, a segunda temporada preparou terreno para o terceiro ano e ampliou a expectativa em torno do futuro (e possível desfecho) da história.
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Rooster
HBO
Ótimo refresco, Rooster apresenta uma história calorosa, melancólica na medida certa e profundamente humana sobre alguém tentando reencontrar o próprio rumo durante a meia-idade. Steve Carell interpreta um escritor de sucesso que se muda para a casa da filha adulta com o objetivo de apoiá-la durante um divórcio.
Ambientada em um campus universitário repleto de reflexões sobre diferentes gerações, a série não busca reinventar fórmulas, mas sim executá-las com eficiência: família construída por afinidade, empatia, autoconsciência e delicadeza emocional convivem com personagens empenhados em preservar uma aparência de dureza masculina.
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Spider-Noir
Prime Video
Ousada e tecnicamente perfeita, Spider-Noir merece aplausos somente pela produção fora do padrão. Com puros elementos das histórias em quadrinhos, das cenas de ação aos enquadramentos dos personagens, a série ofereceu ao público duas versões do mesmo episódio, uma colorida e outra em preto e branco. Isso dá muito trabalho para fazer, não é só clicar em um filtro num software qualquer e pronto.
O visual não é tudo, claro. A trama é muito interessante, sobre um investigador particular chamado Ben Reilly (Nicolas Cage). Envelhecido e sem sorte na Nova York dos anos 1930, ele é forçado a lidar com sua vida passada como o único super-herói da cidade. Antigamente, Reilly era famoso por ser O Aranha. Após uma tragédia, ele se afastou de seu alter ego heroico. Somente um caso extraordinário poderia convocar o detetive a abandonar o disfarce de homem comum e colocar sua máscara novamente.
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The Pitt
HBO Max
A segunda temporada de The Pitt expande sua narrativa muito além do embate profissional entre os médicos Robby (Noah Wyle) e Baran Al-Hashimi (Sepideh Moafi). Embora a rivalidade contida entre ambos renda momentos envolventes, a verdadeira função dessa dinâmica está em aprofundar o principal tema da série: a passagem do tempo e as transformações inevitáveis trazidas por ela.
Enquanto Robby tenta concluir mais um plantão marcado pela urgência dos pacientes em crise, Baran surge como símbolo de mudanças mais amplas e difíceis de mensurar. Seja durante um afastamento temporário ou diante da ameaça de carreiras remodeladas pela inteligência artificial, a sensação predominante é a de que um inevitável futuro está prestes a chegar; e muita coisa terá de mudar.
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Uma Esposa em Miniatura
HBO Max
Divertidíssima, Uma Esposa em Miniatura vai além da fórmula clássica de Querida, Encolhi as Crianças. A série aproveita um “acidente” para tratar de assuntos primordiais de um casamento, como quando é a hora de um parceiro se sacrificar para o outro triunfar. Fora isso, questões familiares entram em jogo, principalmente uma relação turbulenta e tóxica entre mãe e filha.
Nesse palco, Elizabeth Banks brilha. Sua personagem é quem acaba sendo encolhida pelo marido, o cientista Les Littlejohn (Matthew Macfadyen) e tem de viver como uma criatura com apenas 15 cm de altura, tendo uma casa de boneca refinada como abrigo. Lindy (Elizabeth), autora premiada de um único livro, ainda tem de lidar com acusações de plágio. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



