VIDA DE IMIGRANTE

Kumail Nanjiani fala sobre como Clube da Sedução retrata o sonho americano

Minissérie baseada em trágica história real está disponível no Star+
DIVULGAÇÃO/HULU
Kumail Nanjiani em Bem-Vindos ao Clube da Sedução
Kumail Nanjiani em Bem-Vindos ao Clube da Sedução

Mais conhecido por atuar em produções de humor, sendo inclusive indicado ao Oscar pelo roteiro de uma comédia romântica (Doentes de Amor, 2017), Kumail Nanjiani topou o desafio de interpretar um personagem dramático e sombrio, um “vilão vilão”, como mesmo definiu. Ele aceitou fazer a minissérie Bem-Vindos ao Clube da Sedução por isso e pelo fato de ser um retrato honesto sobre realizar o tão propagado sonho americano, algo que viveu na realidade.

Em entrevista ao site The Hollywood Reporter, Kumail Nanjiani falou sobre o desafio de, aos 44 anos, assumir o papel de uma pessoa essencialmente má, que está no polo oposto dos personagens que defendeu ao longo da carreira, como nas séries Franklin & Bash e Silicon Valley. Ainda mais levando em consideração que trata-se de uma história verídica.

“Nunca tive a oportunidade de interpretar um personagem como esse [o empresário da noite Somen “Steve” Banerjee]”, contou o ator. “Ele tem uma trajetória grande, porém rumo à escuridão. Eu sempre quis interpretar um vilão, mas não um cara mal qualquer, mais ou menos ruim. Estou falando de um vilão vilão mesmo.”

Nanjiani, ao comentar sobre o que Steve passou durante a série, lembrou que aquilo tudo foi baseado em fatos reais. “A história em si é muito emocionante e inesperada. Tipo, umas 20 coisas inacreditáveis ​​que foram encenadas na série aconteceram de verdade.”

Ele citou a busca pelo sonho americano, que prega a possibilidade de qualquer pessoa conseguir enriquecer e desfrutar uma boa vida nos Estados Unidos. Steve tinha esse sonho, de ser mais do que um funcionário de um posto de gasolina. Vivendo com pouco dinheiro no bolso de olho na poupança, ele juntou o suficiente para abrir uma casa noturna. De lá nasceu o irresistível e popular clube das mulheres batizado de Chippendales.

“A narrativa tem coisas interessantes a dizer sobre o sonho americano e como ele é acessível a diferentes tipos de pessoas”, explicou. “E isso pelo ponto de vista de um imigrante [indiano]. Eu sou um imigrante [paquiestânes] e tinha uma certa ideia do sonho americano antes de vir para cá [Estados Unidos]. Agora, obviamente, minha visão mudou. Poder explorar isso pelos olhos de alguém que, de certa forma, teve uma experiência semelhante à minha é raro.”

Conheça Bem-Vindos ao Clube da Sedução

Bem-Vindos ao Clube da Sedução tem Kumail Nanjiani na pele de Somen “Steve” Banerjee, um imigrante indiano que, durante os anos 1970 e 1980, não mediu esforços para realizar o famigerado sonho americano, juntando quase 90% do salário de gerente de posto de gasolina, em Los Angeles, para abrir o próprio negócio.

Após fracassos retumbantes, acendeu a lâmpada de Professor Pardal acima da cabeça assim que colocou os pés em uma boate gay. Veio então a ideia de abrir uma casa de striptease com homens dançarinos e voltada para o público feminino, estabelecimento que não existia nos Estados Unidos naquela época.

Em 1979, o Chippendales abriu as portas. O sucesso foi imediato e estrondoso. Mulheres formavam longas filas para ver os homens tirando a roupa. Acabou se tornando um ambiente no qual elas poderiam ser livres, vulgares e sujas, sem amarras ou julgamentos preconceituosos.

A narrativa dá uma guinada ao abordar atritos com parceiros, mortes e traição. Até o FBI (a polícia federal americana) entra em jogo para investigar Steve e companhia. Acrescente ainda nesse caldeirão prisão e julgamento.

Bem-Vindos ao Clube da Sedução está disponível no Star+. A exibição é simultânea com os Estados Unidos. Episódios inéditos entram na plataforma toda terça-feira (são oito, no oito).


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