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A história real de Emergência Radioativa, sobre o acidente Césio-137

Nova série brasileira da Netflix já está disponível
DIVULGAÇÃO/NETFLIX
Alan Costa em Emergência Radioativa, série sobre o acidente Césio-137
Alan Costa em Emergência Radioativa, série sobre o acidente Césio-137

A Netflix lança, nesta quarta-feira (18), a série brasileira Emergência Radioativa, baseada no maior desastre radiológico da história fora de uma usina nuclear. O acidente radiológico de Goiânia, conhecido como acidente com Césio-137, está no centro da narrativa, que mostra a perspectiva de físicos, cientistas e médicos na corrida contra o tempo para salvar milhares de vidas e a cidade.

De certa forma, a gigante do streaming aposta em uma raridade: uma série nacional do gênero thriller que não se trata de policiais e bandidos, mas sim de pessoas comuns lidando com um evento extraordinário.

Conheça a história real contada em Emergência Radioativa, cujo elenco é liderado por Johnny Massaro e Paulo Gorgulho:

O acidente radiológico com Césio-137

Em 13 de setembro de 1987, a cidade de Goiânia tornou-se palco da maior tragédia radiológica já registrada no Brasil. Tudo começou quando dois catadores retiraram um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas do antigo Instituto Goiano de Radioterapia.

A máquina continha uma cápsula com cloreto de Césio-137, substância altamente radioativa usada em tratamento oncológico. Sem conhecimento sobre o risco, os homens desmontaram o equipamento e venderam partes a um ferro-velho. O composto liberou um pó azul brilhante, manipulado por várias pessoas e distribuído entre conhecidos, espalhando contaminação pela cidade.

A dimensão do problema só ficou clara cerca de duas semanas depois, quando uma peça do aparelho chegou à Vigilância Sanitária e técnicos identificaram radiação intensa. Autoridades acionaram a Comissão Nacional de Energia Nuclear e iniciaram uma operação emergencial.

Equipes médicas e especialistas passaram a medir níveis de contaminação em moradores, isolando áreas afetadas e removendo solo, entulho e objetos expostos. Aproximadamente 112 mil pessoas foram examinadas, enquanto 249 apresentaram contaminação significativa.

O acidente deixou quatro mortos e dezenas de pacientes com sintomas de exposição aguda à radiação. Casas foram demolidas e toneladas de resíduos radioativos recolhidas para evitar novos focos de dispersão. Parte disso foi posteriormente transferida para um depósito definitivo construído em Abadia de Goiás, onde permanece sob monitoramento.

Investigações posteriores apontaram falhas na gestão e fiscalização do instrumento médico abandonado, fator decisivo para o desastre. O caso resultou em processos judiciais e indenizações a moradores desalojados ou contaminados, além de mudanças nas normas brasileiras de controle de fontes radioativas.

Décadas depois, as consequências ainda são acompanhadas por programas de assistência médica e de vigilância ambiental. Um centro estadual dedicado às vítimas mantém cadastro de pessoas expostas e oferece tratamento contínuo. Essa catástrofe permanece como referência internacional sobre riscos associados ao manejo inadequado de material nuclear fora de usinas.

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