POSICIONAMENTO DE MARCA

HBO perde prestígio com fim de Perry Mason e aprovação de The Idol?

Canal cancelou drama premium e deu sinal verde para drama de qualidade duvidosa
DIVULGAÇÃO/HBO
Matthew Rhys na 2ª temporada de Perry Mason
Matthew Rhys na 2ª temporada de Perry Mason

Eternamente marcada pelo slogan de ser mais do que TV, a HBO tem um nome a zelar. Grife na indústria do entretenimento, o canal premium é reconhecido por produzir tramas de excelente qualidade. Entretanto, duas decisões recentes colocam esse prestígio em xeque. Qual é a mensagem passada ao assinante depois do doloroso cancelamento de Perry Mason e a aprovação da indigesta The Idol?

Essa comparação é interessante porque joga por terra uma política do canal. A cúpula da HBO sabe que séries refinadas como Perry Mason não dão audiência, podendo até causar prejuízo devido ao orçamento acima da média. Mas atrações desse nível entram no catálogo para manter intacto a mística do canal. 

Em contrapartida, visando pagar as contas, projetos mais sensacionalistas e nada cults precisam sair do papel para atrair audiência e gerar renda; eis o caso de The Idol. Assim, o balanço financeiro é equilibrado.

O fim de Perry Mason, uma das melhores séries de 2023 e produto premium da HBO, foi decretado porque as contas da série não batiam, aplicando a fórmula usada pelo canal para decidir a favor da renovação ou não de suas atrações. O preço para continuar a trama, com a terceira temporada, acabou se apresentando muito elevado, não compensando sustentá-la apenas pelo prestígio.

Até para manter séries cults tem de ter o mínimo de retorno financeiro. O caso de My Brilliant Friend (Amiga Genial) é a melhor ilustração disso.

Todos da HBO sabem que o impecável drama italiano não é arrasa-quarteirão, longe de arrebatar multidões. Mas vale o investimento, chegando até a quarta e última temporada como previsto, porque é uma coprodução com a rede italiana Rai. Daí o custo diminui, fazendo sentido desenvolver novas temporadas no mais absoluto alto padrão, sem poupar investimentos.

No cenário ideal, a HBO tem de ter de um lado produções populares em todo o mundo, como A Casa do Dragão e The Last of Us, enquanto do outro estão tramas tipo I May Destroy You e My Brilliant Friend. É a harmonia entre audiências robustas e reconhecimento cult.

LIly-Rose Depp em cena de The Idol
LIly-Rose Depp em cena de The Idol

The Idol, apesar das duas críticas, tende a ter uma boa audiência, como já demonstrada no episódio de estreia. E não pela qualidade narrativa ou da produção, porém sim na base do “falem mal, mas falem de mim”. São tantos os comentários negativos sobre a série que isso aguça a curiosidade do público, tipo ver até onde vai os absurdos retratados.

O telespectador domingueiro da HBO notou claramente a queda brusca de qualidade entre uma semana (fim de Succession) e outra (estreia de The Idol). Mesmo parando por aqui, sem uma segunda temporada, o canal irá comemorar se a série protagonizada por Lily-Rose Depp e Abel “The Weeknd” Tesfaye tiver uma performance boa no ibope e continuar estampando manchetes nos próximos meses.

A questão não é nem dar sinal verde para The Idol. O ponto é fazer isso e desistir de Perry Mason. A HBO vai seguir as diretrizes desta nova cartilha, fazendo pouco caso de suas atrações mais sofisticadas? A conferir; estamos atentos.


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