
A atriz Giovanna Antonelli (novela Beleza Fatal) foi escalada para a segunda temporada de Tremembé, série brasileira do Prime Video. Ela ganhou o papel de Dominique Scharf, considerada a maior estelionatária do Brasil.
Nascida em berço de ouro, Dominique começou a praticar golpes ainda criança, dando a volta em seus coleguinhas. Adulta, foi condenada 58 anos de prisão por assalto à mão armada, estelionato, furto, receptação e falsificação. Ela passou 32 anos atrás das grades no presídio dos famosos, saindo de lá em 2025 para cumprir o restante da pena em regime aberto.
Em entrevista a Ullisses Campbell, autor de livros que servem de base para o drama true crime do Prime Video, Dominique contou por que entrou para a bandidagem mesmo tendo uma vida cheia de privilégios:
“No começo, não era por necessidade, era por pura diversão. Adorava o jogo, o risco, a sensação de ser presa e logo depois solta. Era debochada e fazia graça com isso. Sempre saía porque meu cúmplice era filho de delegado. A gente se divertia com a situação.”
Quem é Dominique Scharf
Dominique nasceu em 1960, em São Paulo. Filha de um norte-americano e de uma alemã, foi criada em um ambiente de alto padrão socioeconômico. Frequentou colégios de elite e teve uma vida marcada por conforto. A progressão de seus atos fora da lei ocorreu após a morte do pai e o distanciamento da mãe.
Em 1981, aos 21 anos, acabou detida pela primeira vez. A partir daí, acumulou condenações por diversos crimes. Utilizava identidades falsas, adulterava documentos e ganhou notoriedade pela habilidade em fraudes financeiras.
Nos anos 1990, já somava dezenas de investigações policiais. Aplicava golpes contra empresários, comerciantes e instituições bancárias, que iam desde cheques falsificados até a comercialização de joias adulteradas. Também recorria ao chamado “golpe do amor”, extorquindo homens casados por meio de imagens comprometedoras. Posteriormente, envolveu-se com tráfico de armas, clonagem de veículos e ações ligadas a quadrilhas organizadas.
Em 2003, durante um roubo contra um vendedor de joias, passou a responder por tentativa de homicídio. O episódio resultou em julgamento no Tribunal do Júri e acrescentou 12 anos à sua pena.
Em 2016, a Justiça consolidou suas condenações, estabelecendo uma pena total de 57 anos, 11 meses e dez dias. Em razão de falhas processuais, chegou ao regime semiaberto em 2006 sem cumprir os requisitos legais, mas retornou ao regime fechado uma década depois.
Em Tremembé, construiu uma imagem marcada por alternâncias, da sofisticação à melancolia. Entre companheiras de cela, passou a ser vista como uma figura quase mítica.
Na conversa com Ullisses, publicada pelo jornal O Globo em 2025, Dominique revelou como era a sua rotina em Tremembé:
“Me sentia um ET, cercada por mulheres que cometeram crimes extremamente violentos contra familiares, coisas que nunca pratiquei. Nunca matei ninguém e isso me colocava em outra órbita. Aos poucos fiz amizade com Elize Matsunaga e ouvi dela por que matou o marido. Conversar com ela mostrou que nem todas as assassinas são iguais e isso me ajudou a me adaptar um pouco à convivência sem confundir nossas histórias e escolhas.”
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João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



