
Considerada a maior série jovem adulta da Era do Streaming, O Verão que Mudou Minha Vida (Prime Video) é alvo de uma polêmica que revela como atores novatos são vítimas de contratos que não reconhecem o verdadeiro valor do elenco responsável pelo êxito de determinado projeto, seja na TV ou no cinema.
O site Deadline apresentou detalhes dos acordos que Lola Tung, Gavin Casalegno e Christopher Briney, trio protagonista de O Verão que Mudou Minha Vida, e a dupla Rain Spencer e Sean Kaufman assinaram anos atrás e refletem na produção do filme concebido como continuação da série; as gravações começam no próximo dia 27.
Os três nomes fundamentais da história (Lola, Casalegno e Briney) receberam cerca de US$ 100 mil (R$ 515 mil) por episódio na terceira temporada. Intérprete de Belly e figura central da narrativa, Lola teria obtido remuneração um pouco superior à dos colegas masculinos ao longo da produção.
Pela primeira temporada, eles embolsaram por volta de US$ 40 mil por episódio. Logicamente, conforme a série foi fazendo sucesso, os representantes dos atores passaram a negociar aumento salarial compatível com o que a produção estava gerando de renda para a Amazon (dona do Prime Video) e para o estúdio independente Wiip, coprodutora de O Verão que Mudou Minha Vida.
Acontece que o contrato assinado para a terceira leva tinha uma condição: o reajuste salarial viria somente se o trio topasse fazer um filme. Assim, para o longa-metragem, o pagamento equivale a três cachês de episódio (US$ 300 mil) para cada ator; a regra é a mesma para Sean Kaufman e Rain Spencer, dupla em destaque na reta final da série.
A questão não é se US$ 300 mil é pouco ou muito por si só. A franquia O Verão que Mudou Minha Vida é uma das mais valiosas e reconhecidas do mundo dos streamings, com a Amazon faturando muito em cima dela. Justo seria repassar aos atores, que são literalmente a face da saga, uma quantia digna e condizente.
Desentendimento nos bastidores
A terceira temporada de O Verão que Mudou Minha Vida consolidou o alcance do drama romântico. Em 70 dias de exibição, a produção reuniu cerca de 70 milhões de espectadores ao redor do mundo, permaneceu durante meses entre os títulos mais vistos do Prime Video e gerou enorme engajamento online.
Após esses resultados, representantes do elenco teriam procurado o estúdio e a plataforma para discutir aumentos salariais ou bônus vinculados ao filme. O pedido, porém, foi rejeitado: executivos decidiram manter os termos contratuais existentes.
Entre parte do elenco, a decisão gerou frustração. A avaliação interna sustenta que o impacto extraordinário da temporada recente resulta também do trabalho de divulgação realizado pelos atores, além das gravações propriamente ditas. O longa exigirá cerca de três meses de filmagens, seguidos por nova campanha promocional.
Há divergência sobre a obrigação de participar dessa divulgação. Alguns envolvidos indicam que contratos não especificariam compromissos promocionais para o longa, o que poderia reduzir o entusiasmo do elenco diante da situação. Fontes ligadas aos estúdios, por outro lado, afirmam que essas atividades integram os acordos firmados.
Nos bastidores de Hollywood, agentes e profissionais do setor enxergam esse caso de O Verão que Mudou Minha Vida com cautela. Para alguns, a celeuma exemplifica a dinâmica preocupante sobre a forma como intérpretes jovens participam (ou deixam de participar) dos ganhos gerados por sucessos do streaming. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



