
A irrepreensível série Fargo retornou à Netflix nesta quinta-feira (18) três anos após ser removida. E essa volta foi com duas temporadas inéditas na plataforma do tudum, a quarta (protagonizada pelo comediante Chris Rock) e a quinta (estrelada por Jon Hamm), que foi indicada ao Emmy de melhor minissérie, em 2024 e acabou perdendo para Bebê Rena.
Desde maio do ano passado, as cinco temporadas de Fargo estão disponíveis no Prime Video.
Sempre brincando com o rótulo “baseado em história real”, Fargo retrata narrativas criminais excepcionais. A produção é tratada como uma das melhores deste século, ganhadora de prêmios (7 vitórias no Emmy em 70 indicações), ovacionada pelo público e elogiada pela mídia. Joga a favor o fato de misturar vários gêneros, com um pouquinho de drama, comédia, investigação policial e suspense.
A quarta temporada de Fargo
Na trama ambientada em Kansas City, no Missouri (EUA), entre novembro de 1950 e o início de 1951, é encenada a disputa silenciosa e violenta entre duas organizações criminosas pelo domínio do submundo local. De um lado, está um grupo formado por migrantes pretos que deixaram o Sul dos Estados Unidos para escapar das leis de segregação racial; do outro, a tradicional máfia italiana da cidade, com quem mantêm uma relação marcada por rivalidade constante e desconfiança mútua.
No centro da narrativa está Loy Cannon, interpretado por Chris Rock. Líder do sindicato criminoso Cannon Limited, ele surge como uma figura que transita entre o crime organizado e o empreendedorismo.
Além de comandar sua organização, Cannon tenta viabilizar um projeto ambicioso e ainda incipiente para a época: transformar o cartão de crédito em um negócio funcional. A trajetória do personagem expõe as tensões raciais, econômicas e de poder que atravessam a cidade naquele período, enquanto diferentes forças disputam espaço em um cenário dominado por alianças frágeis e conflitos latentes.
A quinta temporada de Fargo
Já a quinta temporada se desenrola no outono de 2019, entre os Estados de Minnesota e Dakota do Norte (nos EUA), e acompanha a rotina aparentemente banal de Dorothy “Dot” Lyon, vivida por Juno Temple. Moradora de Scandia, ela leva a vida típica de uma dona de casa do Meio-Oeste americano até que um incidente inesperado a coloca no radar das autoridades e faz emergir segredos que ela acreditava ter deixado para trás.
O passado de Dot passa a cobrar seu preço após uma confusão durante uma reunião de conselho escolar, evento trivial que desencadeia uma série de consequências desproporcionais. A partir daí, a personagem se vê encurralada por lembranças e conexões perigosas que revelam uma identidade muito mais complexa do que a fachada doméstica sugere.
Entre as figuras que ressurgem nesse percurso está Roy Tillman (Jon Hamm). Xerife do condado de Stark, na Dakota do Norte, ele é um homem corrupto, dono de rancho e defensor autoproclamado de uma autoridade constitucional distorcida.
Obcecado por Dot, Tillman a procura há mais de uma década, período que coincide com o fim de um relacionamento marcado por abusos. O reencontro entre os dois expõe uma relação de poder, violência e controle que transforma o suspense pessoal da protagonista em um confronto de consequências imprevisíveis. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



