
Investir em cultura, especificamente em produções audiovisuais da TV e do cinema, é tão importante para um país quanto aportar dinheiro em qualquer tipo de indústria mais convencional. A Coreia do Sul é um exemplo concreto disso, e um detalhado relatório ajuda a entender como exportar séries e filmes provoca um impacto bilionário positivo no PIB (Produto Interno Bruto).
Em 2025, o conjunto formado por cinema, televisão e plataformas de streaming respondeu por US$ 16,4 bilhões (R$ 81,57 bilhões) do PIB sul-coreano e gerou 291 mil postos de trabalho, segundo estudo independente encomendado pela Motion Picture Association.
Todos os k-dramas que fazem sucesso no mundo inteiro e conquistam pessoas de todas as nacionalidades geram riqueza interna para a Coreia do Sul, criam empregos e movimentam diversas cadeias produtivas (tecnologia, marketing, gastronomia, turismo…). É uma contribuição direta para o crescimento econômico da nação.
Trata-se de uma cópia bem feita do modelo hollywoodiano, braço poderoso do soft power dos Estados Unidos há quase cem anos. No país asiático, a cultura virou ativo estratégico recentemente. A Hallyu (onda coreana) prova que o entretenimento é uma boa aposta para estimular a economia.
Vamos aos números
O levantamento foi elaborado pela Oxford Economics e apresentado na Assembleia Nacional, em Seul, diante de parlamentares e representantes do setor do entretenimento.
Os dados evidenciam um efeito multiplicador relevante. Para cada US$ 680 mil (R$ 3,38 milhões) gerados diretamente no audiovisual, outros US$ 1,4 milhão (R$ 6,96 milhões) são impulsionados na economia, resultando em um multiplicador de 3,1 no PIB. No mercado de trabalho, o índice chega a 3,4: a cada 100 empregos diretos, surgem outros 240 em atividades relacionadas.
A arrecadação tributária também acompanha o dinamismo do segmento, com geração estimada de US$ 4,9 bilhões (R$ 24,37 bilhões) em impostos. Dentro do conjunto, a televisão mantém posição dominante: responde por cerca de US$ 10,6 bilhões (R$ 52,72 bilhões), aproximadamente 65% do total, e sustenta 181,2 mil empregos.
No mercado externo, o avanço também chama atenção. As exportações de conteúdo audiovisual sul-coreano alcançaram US$ 1,2 bilhão (R$ 5,97 bilhões) em 2024, quase o dobro dos US$ 612 milhões (R$ 3,04 bilhões) registrados em 2019, o equivalente a uma taxa média anual de crescimento de 14,5%. O desempenho supera segmentos tradicionais da economia, como bebidas, destilados e locomotivas ferroviárias.
O alcance cultural da produção sul-coreana também se reflete no turismo. Em 2025, cerca de 38,3% dos visitantes estrangeiros afirmaram ter decidido viajar ao país após ter contato com conteúdos da Hallyu, proporção superior aos 32,1% registrados no ano anterior. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



