PROPAGANDAS

Quase metade dos assinantes de streamings são de planos com anúncios

Cada vez mais pessoas preferem dividir a conta com o mercado publicitário
DIVULGAÇÃO/ISTOCK
TV conectada em um streaming
TV conectada em um streaming

O que antes chegou a ser um absurdo está prestes a se tornar a norma. Quase metade dos clientes de streamings são de planos com anúncios, é o que aponta pesquisa da Antenna, firma especializada em análise de plataformas online. Pacotes com inserções comerciais no meio do conteúdo representam 48% de todas as assinaturas de vídeo sob demanda nos Estados Unidos, avanço expressivo em relação aos 39% registrados há dois anos.

O estudo calcula em 110 milhões o total de assinaturas vinculadas a modalidades com propagandas. Mais do que ampliar participação, os planos financiados parcialmente pelo mercado publicitário concentram a principal frente de expansão do setor.

Além disso, o levantamento da Antenna indica que 59% das novas adesões registradas no primeiro trimestre de 2026 ocorreram em planos desse tipo entre plataformas como Disney+, HBO Max e Netflix.

Quando consideradas apenas as adições líquidas (resultado obtido após descontar cancelamentos), mais de três quartos do crescimento ficaram sob responsabilidade das versões com publicidade.

A tendência não parece causar preocupação às empresas do segmento. Embora as mensalidades dessas modalidades sejam mais baixas, o avanço da publicidade no streaming criou uma fonte adicional de receita capaz de compensar o desconto concedido ao consumidor. 

Esse modelo reproduz, em certa medida, a lógica responsável pela rentabilidade da televisão por assinatura durante décadas, combinando arrecadação publicitária e pagamento dos clientes.

Entre os usuários que contratam um serviço de streaming pela primeira vez, a preferência pelos pacotes com anúncios também se mostra dominante. No primeiro trimestre, 64% dos novos clientes escolheram essa opção. Outros 11% migraram de versões sem publicidade para alternativas mais baratas acompanhadas de comerciais. Já os 25% restantes correspondem a consumidores que haviam cancelado anteriormente algum serviço e decidiram retornar.

Nem todos os grupos, porém, aderem ao movimento na mesma velocidade. A pesquisa mostra resistência maior entre os chamados cord cutters, consumidores que abandonam os tradicionais pacotes multicanais da TV a cabo ou via satélite. Após o cancelamento desse tipo de serviço, 57% escolhem plataformas sem anúncios ou simplesmente deixam de contratar qualquer opção de streaming durante os 90 dias seguintes.

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