MEMÓRIA

Espelho Mágico: a novela da Globo de 1977 (bem) parecida com a série Novela

Satírica, comédia do Prime Video presta homenagem à grande paixão brasileira
DIVULGAÇÃO/ACERVO/GLOBO
Tarcísio Meira com Glória Menezes na novela Espelho Mágico
Tarcísio Meira com Glória Menezes na novela Espelho Mágico

Produzida pelo grupo Porta dos Fundos, a série Novela usa a metalinguagem para retratar os bastidores de uma novela da “emissora líder de audiência” no Brasil. Cheia de menções ao mundo da teledramaturgia nacional, a recém-lançada comédia do Prime Video lembra bem, com referências nem tão indiretas, a novela Espelho Mágico, da Globo, exibida em 1977. Há quase meio século, ela inovou apresentando segredos de uma novela e da classe artística, isso dentro da então chamada novela das oito.

A série Novela conecta celebridades e profissionais do universo das novelas usando os nomes de seus personagens, por exemplo. Daí vem uma ligação explícita com Espelho Mágico. O papel de Miguel Falabella na comédia do streaming da Amazon é o autor de novelas Lauro. E o nome do autor de Espelho Mágico é… o renomado Lauro César Muniz.

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Espelho Mágico e Novela, tudo a ver

Em Novela, a novela fictícia da trama chama-se Rebote do Destino (ótimo nome, por sinal). A ideia da produção do streaming da Amazon é prestar uma homenagem à grande paixão brasileira e brincar com clichês e mecanismos dos folhetins da tal “emissora líder de audiência”, como a Globo é indiretamente chamada pelos personagens.

No caso de Espelho Mágico, a novela dentro da novela ganhou o título de Coquetel do Amor. Houve também a abordagem da criação de uma peça de teatro. Tudo isso para mostrar ao público como funcionava a vida atrás das câmeras, explorando conflitos entre diretores, autores e até jornalistas envolvidos nas duas produções.

O criador de Coquetel do Amor, Jordão (Juca de Oliveira), não tinha projeção na carreira de dramaturgo; trabalhava como jornalista para pagar os boletos. Ele fez a novela, indiretamente, para declarar seu amor à ex-mulher, a atriz Leila Lombardi (Glória Menezes), ela que por sua vez foi escalada como protagonista da narrativa.

Assim, as tramas de Coquetel do Amor e Espelho Mágico se misturam ao longo dos capítulos. Não havia filtros que indicassem ao telespectador qual era qual (como ocorre em Novela). Era preciso prestar atenção em outros detalhes, como figurino, maquiagem e penteado, para distingui-las.

Vera Fischer (à esq.) e Sônia Braga em Espelho Mágico
Vera Fischer (à esq.) e Sônia Braga em Espelho Mágico

Bastidores e curiosidades

Espelho Mágico foi exibida diariamente, sempre às 20h, de 14 de junho a 5 de dezembro de 1977, com 150 capítulos. O público não captou a ideia ousada do folhetim, proposta bem avançada e cabeçuda, ressalte-se. Isso resultou em uma queda de audiência brutal, na casa dos 20 pontos em comparação com a anterior, Duas Vidas. Vale lembrar: naquela época, só dava a Globo e mais ninguém na TV.

Por outro lado, a novela diferentona caiu nas graças da crítica. Os elogios rasgados culminaram no prêmio de melhor novela de 1977 pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).

O elenco de Espelho Mágico foi uma reunião ímpar de talentos da atuação brasileira. Se liga nos nomes: Tarcísio Meira, Glória Menezes, Yoná Magalhães, Lima Duarte, Mauro Mendonça, Sônia Braga…

Foi a primeira novela de Vera Fischer. Fazendo valer a proposta de metalinguagem, a personagem da atriz novata, Diana Queiroz, era ex-Miss Brasil e estrela da pornochanchada buscando mudar o rumo de sua carreira… assim como a Vera Fischer versão da vida real.

Também foi o folhetim de estreia de Tony Ramos, mas nas novelas da Globo; ele vinha de uma jornada bem-sucedida na TV Tupi. Seu papel foi de Paulo Morel… um jovem ator em ascensão. Ramos bombou mesmo no plim plim na novela das oito seguinte, O Astro, virando o novo galã do pedaço.

No saldo geral, quem caiu nas graças do povão foi Sônia Braga. A personagem dela, a atriz Cynthia Levi, teve um quê de vilania ao ser apontada como pivô da separação do casal protagonista de Coquetel do Amor, Diogo (Tarcísio Meira) e Leila (Glória Menezes). Sempre com os nervos à flor da pele, sem poder soltar um palavrão daqueles, Cynthia dizia “pomba!” a todo instante; a expressão acabou entrando na galeria dos maiores bordões das telenovelas.

Confira a abertura de Espelho Mágico (e note os nomes consagrados que formavam o elenco):


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