OSCAR DA TV

Emmy: desconhecidos prometem tomar conta das categorias de atuação

Séries como Love Story e The Pitt apostaram em nomes sem fama
DIVULGAÇÃO/FX/HBO
Paul Anthony Kelly em Love Story; Taylor Dearden em The Pitt
Paul Anthony Kelly em Love Story; Taylor Dearden em The Pitt

Vem aí o Emmy dos Desconhecidos. Assim pode ser rotulada a premiação deste ano por causa das 12 principais categorias de atuação. Se, por um lado, famosos devem sair vencedores, de Harrison Ford (Falanto a Real) a Noah Wyle (The Pitt), as indicações têm tudo para ser dominadas por nomes fora do radar, atores e atriz que o grande público nunca havia ouvido falar.

Os indicados ao Emmy de 2026 vão ser conhecidos em 8 de julho; a cerimônia de entrega das estatuetas ocorrerá em 14 de setembro.

Séries como The Pitt, O Cavaleiro dos Sete Reinos e Love Story apostaram em atores e atrizes sem fama para papéis decisivos. No final das contas, a fórmula funcionou muito bem, principalmente para The Pitt, com expectativa de emplacar oito indicações somente nas categorias de protagonistas e coadjuvantes, tendo a possibilidade de duas vitórias: Wyle (melhor ator protagonista de drama) e Sepideh Moafi (melhor atriz coadjuvante de drama).

Por sua vez, o mais novo spin-off de Game of Thrones acertou na loteria ao colocar juntos Peter Claffey e Dexter Sol Ansell no protagonismo da história. A maior parte da audiência passou a conhecê-los em O Cavaleiro dos Sete Reinos, e ambos foram alçados a estrelas depois do afinado entrosamento demonstrado em cena. Tanto Claffey quanto Ansell têm chances de disputar o Oscar da TV de 2026.

No caso de Love Story, houve uma busca incessante por um rapaz genuíno para viver o playboy John Kennedy Jr., caçada que valeu a pena. Sem experiência em atuação, Paul Anthony Kelly foi lapidado para dar vida ao protagonista da trama. O treinamento deu frutos, pois ele não apenas é cotado entre os indicados, como tem chance de ganhar a estatueta de melhor ator coadjuvante de minissérie.

Raio-x da escalação de elenco

Antes mesmo de uma série estrear, parte decisiva do trabalho já ocorreu nos bastidores: a caça por rostos capazes de virar estrelas quase do dia para a noite. Nem a era das redes sociais, marcada pela superexposição permanente, eliminou a habilidade dos diretores de elenco de descobrir atores ainda pouco conhecidos da audiência e transformá-los em revelações instantâneas.

Poucas produções recentes exemplificam esse fenômeno tão claramente quanto The Pitt, premiado drama médico da HBO. Definido por sua equipe como “o grande experimento”, em razão do formato incomum concentrado em um único turno hospitalar, o projeto entregou às diretoras de elenco liberdade total para preencher mais de 250 papéis ambientados em um pronto-socorro fictício de Pittsburgh. O trabalho rendeu às duas um Emmy pela primeira temporada (categoria melhor escalação de elenco de drama).

Em tese, cada vaga de uma produção desse porte costuma atrair de 2 mil a 5 mil currículos acompanhados de fotos profissionais. Para participações especiais, ao menos 40 candidatos gravam testes em vídeo; nos papéis recorrentes ou fixos do elenco, o volume cresce ainda mais.

Depois da triagem, apenas cinco a sete gravações seguem para avaliação dos produtores, etapa sucedida por novas audições via Zoom ou presencialmente.

O pessoal de Love Story passou por maratona semelhante. Durante meses, as diretoras de elenco da minissérie examinaram centenas de testes, vasculharam redes sociais e recorreram a agências de talentos em busca de sua versão ideal do herdeiro dos Kennedy.

Ao selecionar um iniciante, como se deu em Love Story com Paul Anthony Kelly, é colocado em prática um modelo. O novato é moldado ao longo do caminho, lapidado por orientação, direção e acompanhamento contínuos.

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