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Eleven morre em Stranger Things? Criadores explicam o final ambíguo

Matt e Ross Duffer justificam as escolhas feitas na conclusão da trama
DIVULGAÇÃO/NETFLIX
Millie Bobby Brown, a Eleven, na temporada final de Stranger Things
Millie Bobby Brown, a Eleven, na temporada final de Stranger Things

No último episódio de Stranger Things, lançado na quarta-feira (31) pela Netflix, a série entrega o maior e mais intrincado confronto de toda a sua trajetória. O capítulo final, intitulado O Mundo “Direito”, abandona qualquer aquecimento narrativo e parte para a ofensiva decisiva contra Vecna e o Devorador de Mentes, numa operação que exige a participação coordenada de todos os personagens centrais.

Antes de mais nada, vale um esclarecimento: o destino de Eleven (Onze) é propositadamente ambíguo (entenda ao final deste texto).

[Atenção: spoilers a seguir]

A estratégia dos heróis se divide em múltiplas frentes. Enquanto Eleven, Kali e Max enfrentam Henry dentro de sua própria mente, Hopper e Murray preparam o dispositivo que deve destruir o Mundo Invertido.

Paralelamente, o restante do grupo se organiza para atravessar o Abismo e resgatar as crianças sequestradas. Segundo disse Matt Duffer em entrevista à própria Netflix, o estágio avançado da história permitiu que o episódio dispensasse explicações: cada personagem já sabe exatamente qual é o seu papel. Para ele, o clímax remete diretamente a uma campanha de Dungeons & Dragons, em que habilidades distintas convergem para um único objetivo.

A vitória sobre as duas entidades encerra, ao menos em tese, a ameaça sobrenatural que assombrou Hawkins durante anos. E o desfecho da série ecoa o seu ponto de partida: uma última partida de D&D no porão da casa dos Wheelers.

Will, Dustin, Lucas, Max e Mike concluem a campanha derradeira antes de guardar os livros e subir as escadas, um a um. No movimento inverso, Holly, a irmã mais nova de Mike, desce com os amigos para iniciar sua própria aventura. A cena simboliza, como definiu Matt, a despedida definitiva da infância e a passagem do bastão para uma nova geração.

Nem todos, porém, atravessam ilesos o episódio final. Durante uma emboscada no laboratório de Hawkins, Hopper elimina integrantes da unidade militar conhecida como Wolf Pack ao tentar resgatar Kali. Diante da recusa de Hopper em revelar o paradeiro de Eleven, o tenente Akers executa Kali, o que provoca uma retaliação violenta por parte de Eleven, eliminando os soldados restantes e forçando Akers a tirar a própria vida.

Antes desse confronto, Eleven e Kali conseguem impedir Henry de fundir definitivamente o Abismo com o mundo real. Esse intervalo é crucial para que o grupo escale a torre de rádio, apelidada de “pé de feijão”, e alcance o Abismo, onde descobrem que a temida Árvore da Dor é, na verdade, o próprio Devorador de Mentes.

Com os vilões derrotados e as crianças libertadas, o grupo retorna a Hawkins enquanto Hopper e Murray detonam o elo interdimensional. O gatilho é acionado ao som de Purple Rain, de Prince, enquanto o portal colapsa. A ideia da explosão, revelam os Duffers, foi inspirada no filme A Ponte do Rio Kwai (1957), traduzindo para o sobrenatural o conceito de destruir uma ligação estratégica com o inimigo.

Eleven: morta ou viva? Que tal morta e viva?

O sacrifício final cabe a Eleven. Para impedir que seu sangue seja usado na criação de novas crianças com poderes, ela permanece no Mundo Invertido no momento da implosão. Antes de desaparecer, ela puxa Mike para uma despedida silenciosa.

Mais tarde, na última partida de D&D, Mike cria uma narrativa alternativa: Kali teria lançado uma ilusão final, permitindo que Eleven escapasse e recomeçasse a vida em um vilarejo distante.

Os irmãos Duffer deixam a cargo do público decidir o que acredita que acontece com Eleven. Mas, para o grupo de amigos, “ela continua viva em seus corações, seja isso real ou não”, disse Ross Duffer à Netflix.

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