
Depois de quase dez anos alimentando teorias, Stranger Things finalmente revelou os mistérios centrais por trás do Mundo Invertido. A explicação está nos episódios finais da quinta e última temporada e mistura estudos hipotéticos com filme clássico dos anos 1950. Uma imagem inédita ajudou o telespectador a visualizar essa problemática.
Antes de tudo, é preciso esclarecer algo: apesar de fascinante e presente em muitas obras de ficção científica, a existência de buracos de minhoca não foi comprovada empiricamente e permanece um conceito puramente teórico.
Em Stranger Things, essa teoria é aplicada na origem das forças sobrenaturais que assombram Hawkins desde o desaparecimento de Will Byers, em 6 de novembro de 1983.
Stranger Things: Mundo Invertido explicado
O drama sobrenatural deixa claro que o Mundo Invertido nunca foi somente uma versão distorcida de Hawkins, mas sim um atalho dimensional, um verdadeiro elo entre a realidade e um universo muito mais sombrio.
Nancy, Jonathan, Steve e Dustin se dedicam a investigar a origem de uma imensa barreira orgânica que envolve a cidade naquele plano paralelo. A resposta está nos arquivos do antigo Laboratório de Hawkins, embora de forma bem diferente do que o grupo imaginava.
A virada acontece no episódio Tratamento de Choque (quinto da quinta temporada). Enquanto Dustin encontra um dos diários do Dr. Brenner, Nancy e Jonathan chegam ao topo do laboratório e se deparam com uma presença enigmática pairando sobre o prédio.
Aos poucos, fica evidente que a muralha não é obra de Vecna, Holly ou qualquer outra entidade consciente. Ela existe para sustentar toda a estrutura daquele espaço. O problema é que a descoberta vem tarde demais.
Assim que dispara contra a massa no telhado, Nancy provoca uma onda de choque que atravessa o Mundo Invertido e rasga a parede do chamado “buraco de minhoca”. É nesse momento que a série oferece ao público, pela primeira vez, uma visão ampla daquilo que sempre esteve oculto.
A forma do fenômeno, semelhante a uma ampulheta, não é aleatória. Segundo Ross Duffer, um dos criadores da série ao lado do irmão Matt, trata-se da maneira mais direta de traduzir visualmente uma ideia complexa, ainda que isso exigisse um distanciamento quase inimaginável da cena para revelar seu contorno completo.
Em termos simples, o Mundo Invertido funciona como uma ponte entre Hawkins e o território dominado por Vecna e pelo Devorador de Mentes. Os criadores de Stranger Things recorreram a uma analogia cinematográfica consagrada para explicar o conceito: assim como no épico de guerra A Ponte do Rio Kwai (1957), o perigo só pode ser eliminado com a destruição da própria ligação entre os dois lados.
Buraco de minhoca: como funciona
A teoria do buraco de minhoca descreve uma estrutura hipotética prevista pela teoria da relatividade geral de Albert Einstein, na qual o espaço-tempo se dobra de tal forma que cria um “túnel” conectando dois pontos distantes no universo.
Essa passagem seria semelhante a um atalho pelo qual objetos, ou sinais, poderiam transitar entre duas regiões separadas não só por grandes distâncias espaciais, mas também, em princípio, por diferentes instantes no tempo.
A ideia baseia-se em soluções matemáticas das equações de campo da relatividade, que não apenas permitem imaginar esse tipo de ligação, como também inspiraram avanços teóricos subsequentes em física. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



