
Sob a sombra de O Cavaleiro dos Sete Reinos e Industry, duas produções gigantes e aclamadas, a HBO lança neste domingo (1º), às 23h, a minissérie DTF St. Louis. É uma escolha fora da zona de conforto para ocupar a faixa nobre do canal, uma comédia sombria um tanto quanto esquisita que os fãs de Fargo vão adorar.
Em meio a boletins meteorológicos, partidas infantis de beisebol e rotinas burocráticas, DTF St. Louis constrói um suspense iniciado como melodrama doméstico e rapidamente mergulha no terreno da intriga criminal, nunca esquecendo de uma dose calculada de estranheza.
No centro da narrativa está Clark Forrest, apresentador da previsão do tempo interpretado por Jason Bateman (Ozark). Carismático diante das câmeras, ele mantém um caso com Carol (Linda Cardellini), funcionária do departamento contábil da Purina que complementa a renda atuando como árbitra em jogos da Little League (beisebol infantil).
O detalhe que transforma o enredo em pólvora dramática é o terceiro vértice do triângulo: Floyd Smernitch, marido de Carol e intérprete de linguagem de sinais do próprio Clark, vivido por David Harbour (Stranger Things).
O adultério, porém, não se limita ao campo íntimo. Clark aproxima-se de Floyd com intenções dissimuladas, numa tentativa velada de desestabilizar o casamento, impedindo-o de viver plenamente sua relação extraconjugal.
A tensão acumulada explode ainda no primeiro episódio, quando Floyd é encontrado morto em circunstâncias nebulosas. A partir daí, a trama abandona qualquer aparência de um conflito conjugal convencional para assumir contornos de mistério sinuoso.
Tal como Fargo, o caso policial fica a cargo de uma dupla improvável. De um lado, Jodie Plumb (Joy Sunday, da série Wandinha), investigadora local determinada e observadora. Do outro, o veterano detetive Donoghue Homer (Richard Jenkins), vindo da cidade grande e convencido de já ter decifrado o quebra-cabeça antes mesmo de reunir todas as peças.
A dinâmica entre os dois explora o contraste clássico da juventude ambiciosa e a experiência autoconfiante, combinação responsável por produzir mais fricção do que respostas.
Embora o ponto de partida remeta ao repertório tradicional do gênero policial, a minissérie aposta deliberadamente no insólito. O resultado é uma atmosfera que desafia expectativas e impede conclusões apressadas. Conforme os investigadores avançam, a história revela camadas emocionais inesperadas, sugerindo serem as aparências iniciais apenas a superfície de um quadro muito mais complexo.
DTF St. Louis também estará disponível no streaming HBO Max. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



