LANÇAMENTO

Crítica: De Belfast ao Paraíso parece Dele & Dela, só que não

Nova série da Netflix mistura comédia e mistério da linha 'quem matou?'
DIVULGAÇÃO/NETFLIX
Cena da série De Belfast ao Paraíso
Cena da série De Belfast ao Paraíso

Amigas inseparáveis desde a escola perdem o chão após a morte de uma delas. Parece ser trecho da sinopse da minissérie Dele & Dela, que há mais de um mês está entre os programas mais vistos na Netflix, só que não. Trata-se da espinha dorsal da nova série britânica da plataforma, De Belfast ao Paraíso, lançada nesta quinta-feira (12).

A narrativa apresenta três personagens logo de cara:

  • Saoirse (Roísín Gallagher), uma roteirista de TV brilhante e caótica;
  • Robyn (Sinéad Keenan), uma mãe de três filhos glamorosa e sobrecarregada;
  • Dara (Caoilfhionn Dunne), uma cuidadora reservada, mas pau para toda obra.

Agora, aos quase 40 anos, a notícia da morte da quarta integrante do grupo de infância, que andava afastada, desencadeia uma sucessão de eventos misteriosos em seu velório.

É o começo de uma jornada sombria, perigosa e hilária pela Irlanda e além, enquanto tentam desvendar a verdade acerca do passado. De Belfast ao Paraíso é uma série do tipo “quem matou?” sobre amizade, memória e os caminhos inesperados pelos quais a vida pode enveredar. Mas, diferentemente de Dele & Dela, é uma comédia em sua essência.

De Belfast ao Paraíso: análise

Entre o caos deliberado e as pistas lançadas como cortinas de fumaça, parte da sofisticação da série De Belfast ao Paraíso pode escapar a um espectador menos atento, sobretudo àquele em busca de apenas um suspense vertiginoso, cheio de reviravoltas. Ainda assim, quando se tem um elenco dessa estatura e diálogos vibrantes, com tamanha energia, o que a série oferece é bastante suficiente.

Os personagens falam depressa, xingam com inventividade, se atrapalham com facilidade e avançam verbalmente contra qualquer situação, quase sempre movidos por convicções equivocadas. Há uma voltagem constante nas interações, um embate capaz de transformar cada troca de palavras em um pequeno campo de batalha.

A trilha sonora acompanha esse ritmo acelerado: sucessos do pop britânico dos anos 1990 e início dos 2000 ecoam ao longo dos episódios, com destaque para hinos de pegada girl power que sustentam o viés feminista da trama.

No centro de tudo está um enigma que atinge o grau exato de complexidade para se sustentar por si só. Envolvente na medida certa, ele não depende exclusivamente de artifícios externos para prender a atenção. E, para uma produção desse gênero, isso já representa um mérito considerável.

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