AQUÉM DO ESPERADO

Crítica de Berlim: série vendida como grife é mercadoria da 25 de Março

A dúvida é: eis a última grande decepção de 2023 ou a primeira de 2024?
REPRODUÇÃO/NETFLIX
Pedro Alonso em cena da série Berlim
Pedro Alonso em cena da série Berlim

A Netflix jogou pesado com Berlim, apostando forte em um marketing agressivo para vender a série como produto de grife, parte da franquia popular La Casa de Papel. Acontece que o resultado final é para lá de decepcionante, a concretização do ditado popular comprar-gato-por-lebre. Quem achou que veria uma atração de ponta se deparou com um mercadoria de quinta categoria, made in 25 de Março.

Berlim chegou para seguir os passos da trama mãe: narrar todos os eventos acerca de um grande e elaborado assalto, no caso um roubo à casa de leilão mais importante de Paris (França). Porém, o que o telespectador viu mesmo foi um drama qualquer com adultos se comportando como adolescentes apaixonados e excitados só pensando naquilo…

Pega-se o caso do protagonista. O spin-off pegou um dos personagens mais reconhecidos de La Casa de Papel, Berlim, vivido por Pedro Alonso, para destrinchar o passado do ladrão. Mas na própria série sobre um assalto planejado por ele mesmo, sua maior preocupação é conquistar uma mulher casada. Ele investe mais nisso do que na ação criminosa em si.

Aliás… Por que a série se chama Berlim? O enredo trata de eventos do passado de La Casa de Papel. O apelido que o personagem Andrés de Fonollosa Gonzalves ganhou, Berlim, foi dado durante a primeira temporada de La Casa de Papel… Então, ele não era conhecido como Berlim na linha do tempo da série Berlim…

Enfim, voltando às falhas da atração filhote. Não é só o protagonista que se envolve em jornadas amorosas. O primeiro episódio mostra de cara que todo mundo ali tem alguma plantação nessa horta. É algo bastante explícito e que toma muito tempo da série. De fato, o assalto mirando surrupiar 44 milhões em joias fica em segundo plano.

Tem flerte entre personagens do bando, papo constrangedor sobre depilação íntima feminina, taradice sem vergonha compartilhada por um homem em conversa com uma mulher (como se fosse o papo mais banal que se possa ter com alguém)… A série Berlim é lotada de cenas desse nível.

Pensando em um título apropriado, que não Berlim: que tal Ladrões Também Amam?

Os arcos românticos são tão desnecessários que deve ser oferecido graças aos Céus por a Netflix ter a opção de avançar as cenas dos episódios. Quem optar por fazer isso toda vez que o amor meloso pintar no ar, pula todo o excesso e não perde nada de interessante. Seja o próprio editor da série e veja só o de mais importante.

Contudo, há um detalhe. O tal assalto espectacular nem é tão de tirar o fôlego assim, sequer chega no cheirinho do visto nas duas temporadas de La Casa de Papel (Casa da Moeda e Banco de Espanha). 

Por tudo isso, a palavra que define Berlim é decepção. Esperava-se muito mais da série. Não que viesse algo para ganhar o Emmy, entretanto ao menos um entretenimento divertido e bacana de acompanhar nessa virada de ano. Com um plano de assalto bem mais ou menos e romances típicos de adolescentes engatados por marmanjos e marmanjas, esse spin-off de La Casa de Papel é digno de reprovação.

Como 2023 já passou, eis uma fortíssima candidata à lista de piores séries de 2024.


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