
Spin-off de Bridgerton, a minissérie Rainha Charlotte estreia nesta quinta-feira (4), na Netflix, adaptando uma história real. O drama de época pomposo da gigante do streaming está longe de ser uma aula de história, mas muito do que é contado ali tem sim base em fatos verídicos. Claro que a licença criativa em prol da dramaturgia pesa mais para criar uma trama com apelo; e é Shonda Rhimes quem assina os roteiros.
A rainha Charlotte viveu entre 1744 e 1818, morrendo aos 74 anos, sendo uma pessoa de suma importância dentro da monarquia britânica. Ela tem o status de rainha consorte (casada com o rei de fato) mais longeva do Reino Unido. Suas ações na coroa foram marcantes e até hoje são lembradas.
Charlotte veio do norte da Alemanha, do ducado de Mecklenburg-Strelitz. Princesa no país germânico, a jovem não tinha qualquer interesse nesse mundo da monarquia, muito menos apreço pela politicagem. Contudo, ela acabou sendo atraída para a Inglaterra no começo da década de 1760, assim que Jorge 3º assumiu o trono.
Jorge a considerou ser a mulher perfeita para o matrimônio. A paquera (negociação do casório, melhor dizendo) não durou tanto assim. No ano de 1761, em Londres, os dois se casaram. Charlotte tinha 17 anos e Jorge, 22.
Logo no primeiro ano de casamento, Charlotte ficou grávida. No total, ela teve 15 filhos, dos quais 13 viraram adultos. Ela é a avó da rainha Vitória, uma das grandes monarcas do Reino Unido, e também está na genealogia de avós da rainha Elizabeth 2ª.
Charlotte e Jorge fizeram várias aquisições de terrenos e castelos que são ícones da monarquia britânica. A principal compra foi o Palácio de Buckingham, atual residência da família real. A residência oficial do casal, contudo, era o Palácio de St. James. O Palácio de Buckingham ganhou tal status apenas no reinado de Vitória, no século 19.
Um dos grandes legados do reinado de Charlotte foi a criação de orfanatos. Além disso, a rainha foi patrona de maternidades; algumas existem até hoje.
Na linha de curiosidades aleatórias… Acredita-se que foi Charlotte quem iniciou a tradição de decorar uma árvore, dentro de casa, durante a época do Natal. Isso ela trouxe de uma prática comum no ducado germânico no qual passou a infância.

A rainha Charlotte era negra?
Na série da Netflix, a rainha Charlotte é apresentada em duas versões, jovem e adulta, interpretadas por India Amarteifio e Golda Rosheuvel, respectivamente. Ambas as atrizes são negras. Mas quadros da época retratam a rainha Charlotte com a pele clara. Por quê?
Com a rainha Charlotte se repete o ato visto em registros históricos ao redor do mundo: o embranquecimento de pessoas de pele escura. Historiadores e pesquisadores independentes chegaram à conclusão que, no mínimo, Charlotte era mestiça. Já os historiadores oficiais da monarquia contestam tal sugestão. Por isso, não há consenso sobre o assunto.
Embora tenha nascido na Alemanha, a linhagem de Charlotte vem da África, passando por uma casa real portuguesa, fruto da colonização.
A teoria sobre Charlotte ter sido negra aponta que os pintores da época, que colocaram em quadros a face e a silhueta da rainha, atenuaram, além da cor da pele, características do rosto que indicariam que ela era negra, como traços do nariz e boca.
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João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br