
Criador e produtor renomado, Ryan Murphy só entregou um arrasa-quarteirão para a Netflix em quatro anos de contrato: a minissérie Dahmer: Um Canibal Americano. E isso embolsando US$ 300 milhões, pelo acordo firmado em 2018. Ganhando a metade desse valor, Shonda Rhimes, no mesmo período, deu um baile no colega, emplacando duas séries entre as sete mais vistas de toda a história da gigante do streaming (programas de língua inglesa).
O gol de honra de Ryan Murphy, contudo, foi de placa. Dahmer caminha para entrar no top 5 geral de todos os tempos da Netflix, furando a bolha do entretenimento e provocando debates além da produção em si; que é de baixa qualidade. Mas cabe a pergunta, apesar disso: o acordo com o cineasta foi benéfico para a Netflix?
Antes de Dahmer, Murphy lançou duas séries feitas exclusivamente para a Netflix: Hollywood e Halston. Outras atrações que entraram na plataforma recentemente com a assinatura do produtor, The Politician e Ratched, são da parceria antiga dele com os estúdios da Fox (hoje pertencentes à Disney).
Nenhuma das quatro séries foram hit. Ratched, liderada por Sarah Paulson, foi a que chegou mais perto desse status. Mas, lançada em 2020 e com a encomenda de duas temporadas, a nova leva sequer começou a ser produzida, gerando dúvidas se verá a luz do dia.
No caso de The Politician, cuja segunda temporada saiu há dois anos, a Netflix não deu mais notícias, tipo se a série foi oficialmente cancelada ou não.
Esse balanço é justo de ser feito pois o contrato de Murphy termina ano que vem. Na base do “se você não me quer, tem quem queira”, o showrunner não ficará na sarjeta caso a Netflix opte pela não renovação, o que o deixaria livre para assinar com rivais. A empresa do tudum pode dar uma de Globo e assinar com ele só para não fortalecer a concorrência, há essa alternativa.
Na próxima semana, Murphy passará por mais um teste. Dia 13, entra no catálogo a minissérie Bem-Vindos à Vizinhança, com grande elenco (Naomi Watts, Bobby Cannavale, Mia Farrow, Margo Martindale e Jennifer Coolidge). A performance do drama pode ajudar ou prejudicar as negociações dele com os executivos da plataforma.

Shonda, a craque da camisa 10
Enquanto isso, Shonda Rhimes dá show com o seu toque de Midas. Em 2017, ela assinou com a Netflix ganhando menos da metade do que Ryan Murphy recebeu. A criadora de Grey’s Anatomy, entregou bem mais do que o colega.
Duas séries foram lançadas sob a benção de Shonda: Bridgerton e Inventando Anna (esta criada por ela mesma). Entre as séries de língua inglesa, as duas temporadas de Bridgerton ocupam o segundo e terceiro lugares do ranking top 10; atrás de Stranger Things 4. E a minissérie Inventando Anna aparece na sétima posição.
Se as séries de Murphy, pré-Dahmer, renderam pouco na tabela de audiência da Nielsen (o ibope americano), as de Shonda foram verdadeiras sensações. Bridgeton ficou 13 semanas seguidas no top 10 e Inventando Anna, dez. Como efeito comparativo, Ratched apareceu no ranking durante três semanas somente.
Não à toa a Netflix agiu rápido e renovou com Shonda Rhimes. A showrunner assinou um novo contrato, no ano passado, melhorando o pagamento (dobrando, segundo informações da imprensa americana) e por mais tempo (duração de cinco anos).
Está em aberto o futuro de Ryan Murphy. O que a Netlfix deve fazer, renova com ele ou não?

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br