PAÍS EM RUÍNAS

Análise: O Regime é sobre os perigos de governo com poder absoluto

Comédia da HBO aposta no absurdo para criticar líderes autoritários
DIVULGAÇÃO/HBO
Kate Winslet em cena de O Regime
Kate Winslet em cena de O Regime

Atração domingueira da vez na HBO e Max, O Regime adota a linha da comédia absurda para expor os perigos de um governo autoritário, com poder absoluto. Na sátira política, Kate Winslet interpreta Elena Vernham, chanceler de um país fictício localizado na Europa Central. A nação está prestes a desmoronar por causa do regime implementado por ela, que fica cada vez mais paranoica e instável com o passar dos dias.

Durante evento para promover a série, realizado em Nova York, profissionais que trabalharam na produção, de criador a atores, fizeram análises precisas sobre o tipo de mensagem que O Regime transmite ao longo dos seis episódios. O ator Stanley Townsend, em entrevista ao site The Hollywood Reporter, foi o mais direto e enfático: “A trama é o retrato dos perigos do poder.”

“Como você lida com o poder? Uma coisa é chegar a uma posição de poder… mas o que você faz quando chega lá?”, seguiu Townsend em sua análise. Ele comentou sobre o governante querer fazer algo diferente do desejo das pessoas que o colocaram nessa posição de poder, desencontro que gera conflitos.

Will Tracy, roteirista de Succession e criador de O Regime, traçou paralelos entre a história fictícia e o mundo real: “É um país imaginário, mas parece estar inserido dentro da geopolítica atual, verdadeira. É como se pudéssemos reconhecê-lo. O que diz muito sobre como funciona a política externa e como esses regimes reais prosperam e operam.”

Ele expandiu esse pensamento ao explicar justamente o ponto de intersecção da ficção com a realidade, ressaltando o que líderes autoritários têm em comum: “Eles querem acumular mais e mais poder como resposta às pessoas que um dia riram deles. Mas quanto mais poder acumulam, maior é o comportamento ridículo demonstrado. Daí, o problema se agrava.”

O Regime chega em um momento especial da humanidade no qual se questiona a função da democracia, ela que é a pior forma dos regimes, com exceção dos demais, conforme teria dito Winston Churchill, ex-primeiro-ministro do Reino Unido. Nações democráticas, com eleições e tudo, elegem líderes com inclinação absolutista ou até mesmo explicitamente autoritários, arruinando assim a vida da população com rompantes ditatoriais.

A comédia é uma ótima opção para criticar e jogar luz nesse problema, pois o caminho do absurdo é o ideal nessa missão, tal qual fez Veep (visão mais atual da política e governo) ou The Great (visão antiga).

Elena, por exemplo, cisma que há um golpe se armando contra ela, o que a faz desconfiar de tudo e todos. É um reflexo da situação delicada em que está, ameaçada pela turbulência doméstica, com a economia em crise. 

A complicação aumenta com a prisão de Edward Keplinger (Hugh Grant), ex-chanceler e atual líder da oposição. Essa ação só fere ainda mais a imagem de Elena, que precisa lidar com protestos públicos em grande escala.

Como Veep, qualquer semelhança com a realidade em O Regime é mera coincidência. A torcida é que esse frase seja verdade mesmo, para a ficção não virar documentário.


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