
Assim que sair a lista dos indicados ao Emmy de 2026, na quarta-feira (8), uma ausência de peso será sentida. Série sensação, popular entre a crítica e o público, Rivalidade Ardente está fora da disputa pelo Oscar da TV. Uma regra bem específica da Academia de Televisão americana, organizadora do evento, proíbe a inscrição do drama esportivo canadense.
Para qualquer produção televisiva disputar o Emmy, ela precisa ter algum tipo de participação de um estúdio ou emissora dos Estados Unidos. Não é o caso de Rivalidade Ardente, cuja realização ocorreu integralmente no Canadá. A HBO, via streaming HBO Max, apenas comprou o direito de exibição.
A situação curiosa chama a atenção em um cenário no qual obras de fora dos EUA frequentemente brigam pelas estatuetas da premiação contra atrações hollywoodianas. Séries como Downton Abbey (Reino Unido), Round 6 (Coreia do Sul) e Bebê Rena (Reino Unido) emplacaram indicações e venceram categorias graças ao envolvimento de parceiros de produção americanos.
No caso de Rivalidade Ardente, a estratégia foi diferente. Criada por Jacob Tierney, a série nasceu como uma produção da Accent Aigu Entertainment para o Crave, plataforma de streaming pertencente ao conglomerado canadense Bell Media, mantendo-se como um projeto exclusivamente canadense durante todo o processo.
Em determinado momento do desenvolvimento, havia a possibilidade de entrada de um financiador dos EUA, circunstância suficiente para tornar a obra elegível ao Emmy. A parceria, porém, não prosperou. Diante das tentativas de ingerência criativa por parte dos potenciais investidores, Bell Media e Accent Aigu optaram por manter controle total sobre o título e seguir sem um coproprietário americano.
Havia a possibilidade de a HBO reivindicar um crédito de produção, após adquirir os direitos de exibição, ou até exigir participação formal na segunda temporada, mas o chefe do canal, Casey Bloys, preferiu não alterar a estrutura do projeto nem interferir em uma fórmula considerada bem-sucedida.
Situação parecida envolve O Senhor das Moscas. A minissérie britânico-australiana, adaptada por Jack Thorne (Adolescência) a partir do romance clássico, teve seus direitos de exibição nos EUA adquiridos pela Netflix durante o lançamento na rede britânica BBC e figura entre as principais apostas da gigante do streaming para o Emmy deste ano.
A distinção, contudo, está na composição societária. Embora resulte de uma coprodução entre BBC e Stan (Austrália), a série foi desenvolvida pela britânica Eleven, empresa controlada pelo estúdio americano Sony Pictures Television. Além disso, a distribuição nos EUA também ficou a cargo da Sony, combinação considerada suficiente pela Academia de Televisão para garantir a elegibilidade do drama ao Emmy.
Em tempo: no Brasil, O Senhor das Moscas será lançada pelo Globoplay. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



