
Na busca pelas verdades e mentiras contadas na excelente série Brasil 70 – A Saga do Tri, ninguém melhor do que quem viveu aquilo na pele para tirar tudo a limpo. Lenda do futebol brasileiro e cronista esportivo, Tostão escreveu sobre o drama esportivo da Netflix em sua coluna no jornal Folha de S.Paulo, deixando claro uma coisa antes de mais nada: “Há muitas cenas inventadas.”
Ídolo do Cruzeiro, Tostão foi o camisa 9 da seleção brasileira tricampeã do mundo, no torneio realizado no México em 1970; na produção da Netflix, o atacante é interpretado por Ravel Andrade (Raul Seixas: Eu Sou). Ele aproveitou que a série está em alta para compartilhar o que realmente aconteceu nos bastidores daquele time.
“A pressão feita por Pelé e outros jogadores para Zagallo me escalar não foi explícita”, afirmou o cronista. “Se houve pressão, foi silenciosa, pelo olhar, nas entrelinhas e nas conversas ao pé do ouvido.”
Tostão comentou que ele não foi até o Zagallo, treinador da equipe, para pedir a titularidade, algo que a atração da gigante do streaming encenou.
O Mineirinho de Ouro também saiu em defesa de Pelé, que em alguns momentos de Brasil 70 é retratado como um jogador alienado às realidades da nação brasileira daquela época, sob a opressão do regime militar. Tostão, por sua vez, tinha uma postura mais combativa e militante.
No terceiro episódio, durante um treinamento, Tostão confronta Pelé para que o Rei do Futebol não se posicionasse, representando todos os atletas do plantel, a favor do governo ditatorial no caso do sequestro do embaixador da Alemanha Ocidental, capturado no Rio de Janeiro por grupos guerrilheiros; o objetivo era trocá-lo por presos políticos.
“Diferentemente do que é mostrado, Pelé era um atleta consciente, equilibrado, bem-humorado e muito forte emocionalmente. Por isso e pelas condições físicas e técnicas era o Pelé, o maior da história.”
Embora tenha registrado que Brasil 70 abusa da licença criativa, algo padrão em séries baseadas em histórias reais, Tostão registrou que gostou do programa: “A série é bem feita, prazerosa de se ver, emocionante, possui ótimos atores e com ótima reprodução dos principais lances e gols.”
Mas encerrou a coluna com um recado direto: “Há muitas cenas inventadas e sensacionalistas para dramatizar uma grande conquista esportiva”. •

João da Paz é editor-chefe do site Diário de Séries. Jornalista pós-graduado e showrunner, trabalha na cobertura jornalística especializada em séries desde 2013. Clique aqui e leia todos os textos de João da Paz – email: contato@diariodeseries.com.br



